Nova linha do FMI quer conter contágio da crise

Veículo: Valor Econômico
Seção: Finanças
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A nova linha de crédito criada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em novembro deverá ajudar a conter um possível contágio global causado pela crise da zona do euro, afirma um conjunto de documentos divulgado hoje que detalha a lógica e o funcionamento do programa.

O FMI não enumera os países que podem ou não ter acesso à nova Linha Preventiva e de Liquidez (PLL, na sigla em inglês). Mas os rígidos critérios de elegibilidade indicam que será muito difícil ela ser usada por países europeus em crise, como Itália.

O novo instrumento é talhado a fornecer socorro rápido a países emergentes que, apesar de exibirem fundamentos macroeconômicos relativamente sólidos, podem sofrer contágio de crises ocorridas em outras economias, como a que ocorre na Europa. O Brasil parece estar entre o público-alvo do novo programa, embora o FMI não faça nenhuma menção ao país.

Terão acesso à linha apenas economias com fundamentos econômicos sólidos. Para tanto, o país não deve ter "uma dívida pública que não é sustentável no médio prazo com alta probabilidade". Com uma dívida pública equivalente a 120% de seu Produto Interno Bruto (PIB), cuja sustentabilidade é colocada em xeque pelo mercado financeiro, será muito difícil a Itália se qualificar ao PLL.

Não podem ter acesso à nova linha países sem acesso sustentado a mercados internacional de capitais, que precisa adotar grandes ajustes macroeconômicos e com insolvência bancária generalizada. Nesse caso, o país deve procurar os programas tradicionais do FMI.

A nova linha é, na verdade, uma tentativa de aperfeiçoar programas criados nos últimos anos para lidar com crises sistêmicas que, por enquanto, tiveram sucesso limitado. Em 2009, o FMI criou a Linha de Crédito Flexível (FCL, na sigla em inglês), que foi contratada por apenas três países - Colômbia, México e Polônia. Na época, o FMI tentou convencer o Brasil a entrar no FCL, mas o governo recusou a proposta.

O objetivo desse instrumento foi garantir rápido acesso a um colchão de liquidez para países que sofreram contágio de uma crise originada em outras partes do mundo. Para ter acesso a ela, porém, o país precisa adotar uma política econômica "muito robusta", incluindo cinco áreas: posição externa, política fiscal, política monetária, sistema financeiro e coleta de dados e estatísticas.