Grandes empresas buscam recursos no mercado interno

Veículo: DCI
Seção:
Página:

O saldo de crédito concedido ao setor privado chegou a R$ 1,855 trilhão em setembro. Do total, o setor de indústria possui R$ 401,945 bilhões de estoque, acréscimo de 11,3% no ano e de 15,9% na ante setembro de 2010. Já serviços possui R$ 329,953 bilhões, com alta de 12,8% ante dezembro do último ano e de 19,2% em 12 meses. O maior crescimento, de 14,1% no ano e de 23,1% em 12 meses, pode ser observado no segmento de comércio, que atinge saldo de R$ 196,968 bilhões. Essa elevação, principalmente entre as médias e grandes companhias, está relacionada ao cenário externo de incerteza que as obriga a buscar financiamento no mercado doméstico, apontam especialistas.

Segundo o professor Marcello Gonella, da Anhembi Morumbi, a tendência é de que com a diminuição de recursos financeiros disponíveis no exterior o volume de concessões no Brasil seja elevado. "Com o incentivo de crédito para os bancos e redução das taxas de juros, há a reversão para o mercado interno." O incentivo ao qual Gonella se refere é a revisão dos fatores de ponderação de risco para cálculo do capital em operações de consignado, crédito pessoal e financiamento de veículos e queda da taxa básica de juros (Selic) para 11,50% ao ano.

Na divisão por setores, o professor explica que Serviços apresenta uma maior expansão, enquanto Indústria encontra dificuldades. "A indústria sofre com a taxa de câmbio favoráveis à importação e custo Brasil elevado."

O gerente de Indicadores de Mercado da Serasa Experian, Luiz Rabi, concorda com o impacto no segmento industrial, o que fica nítido na redução da demanda. "É prejudicado pela importação e concorrência externa. Já Serviços tem um comportamento um pouco melhor, porque não é um setor afetado por concorrência externa e alta dos juros internos."

Com base em dados do Indicador Serasa Experian da Demanda das Empresas por Crédito, Rabi observa que em outubro houve recuo em todos os setores, mas no acumulado do ano, de janeiro a outubro, o setor de serviços se destaca, com crescimento de 6,5% frente o mesmo período do último ano. As companhias industriais registraram avanço de 3,6% e comerciais aparecem com alta de 0,6%.

No que se refere ao porte das empresas, o especialista da Serasa Experian destaca que as médias e grandes empresas elevaram a procura por crédito no mês de outubro, com alta de 0,8% e 1,6%, respectivamente. "Num movimento semelhante ao ocorrido durante a crise de 2008, há um fechamento do mercado internacional de captação de recursos e as empresas vão para o crédito bancário interno", diz Rabi, que acrescenta: "Está se desenhando um cenário quantitativo semelhante ao de 2008, mas não tão drástico."

A maior procura por parte das companhias de maior porte pode enxugar o volume de recursos disponíveis para o segmento das micro e pequenas empresas, explica o economista. "Com maiores incertezas, os bancos preferem conceder empréstimo a quem gera menos exposição a risco - no caso, as grandes empresas". Luiz Rabi relembra que, em 2008, a Petrobras recorreu ao sistema bancário para a captação de recursos, com demanda por um elevado aporte financeiro, o que reduziu o dinheiro disponível no mercado. "Quando tem um fechamento grande lá fora, todos são afetados."

O maior volume de crédito direcionado a este segmento pode ser confirmado com a análise dos balanços, ao fim do terceiro trimestre, dos três maiores bancos de capital aberto.

Com carteira de R$ 163,340 bilhões em pessoa jurídica, o Banco do Brasil chegou a R$ 101,024 bilhões concedidos para médias e grandes empresas, com alta de 5,72% na comparação com junho de 2011. Já o segmento de micro e pequenas companhias atingiu R$ 62,316 bilhões, o que representa um crescimento de 4% ante o segundo trimestre.

O Itaú Unibanco apresentou R$ 221,660 bilhões na carteira de pessoa jurídica, sendo que o maior crescimento ocorreu em grandes empresas, de 9%, para R$ 134,751 bilhões. Já micro, pequenas e médias expandiu 2,2%, para R$ 86,908 bilhões.

O Bradesco somou R$ 156,570 bilhões em pessoa jurídica, com R$ 65,071 bilhões em corporate (grandes) e R$ 91,499 bilhões em micro, pequenas e médias .