Para o FMI, recuperação dos desenvolvidos caminha em "marcha lenta"

Veículo: Correio Braziliense Online
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O Fundo Monetário Internacional (FMI) reforçou o coro de pessimismo que envolve os países desenvolvidos. Em documento preparado para ser apresentado durante a cúpula do G-20, grupo das 20 maiores economias do planeta, mas divulgado somente ontem, o órgão alertou para o elevado risco de as economias avançadas voltarem à recessão. De acordo com o Fundo, a recuperação econômica nessas nações continua em “marcha lenta” e a normalização financeira só será alcançada caso as autoridades atuem com urgência para impulsionar o crescimento.

“A paralisia política e a incoerência contribuíram para exacerbar a incerteza, a perda de confiança e aumentou o estresse no mercado financeiro”, destacou o FMI. O argumento do Fundo é de que as economias avançadas precisam, urgentemente, implementar planos de arrocho fiscal de médio prazo que sejam capazes de conquistar a confiança dos credores, além de apresentar reformas para o setor financeiro.

Ao analisar a situação dos Estados Unidos, Japão e alguns países da Zona do Euro, o FMI considerou que há “incertezas consideráveis” sobre como os governos responsáveis vão alcançar a sustentabilidade fiscal. “Para reduzir essas dúvidas, essas economias precisam caminhar mais rapidamente para colocar em prática planos críveis de consolidação, que ajudem a preservar o espaço para um suporte fiscal de curto prazo para a recuperação”, acrescentou o FMI.

Zona de risco

A manifestação do FMI foi feita um dia após o comissário europeu de Assuntos Monetários, Olli Rehn, dizer em tom sombrio que “a economia mundial está em perigo” e destacar o risco de recessão na Zona do Euro. “O crescimento parou na Europa e podemos entrar em uma nova fase da recessão”, afirmou na quinta-feira.

Os números divulgados pela Espanha ontem confirmam a previsão do comissário. No terceiro trimestre, o país ficou com o Produto Interno Bruto (PIB) estagnado, após crescer apenas 0,2% nos três meses imediatamente anteriores.

A Comissão Europeia reduziu as previsões de crescimento no bloco econômico de 1,8% para 0,5% em 2012 e, embora estime que o avanço seja retomado após esse período, o órgão acredita que a estagnação deve afetar de forma diferente os países.

China revê ajuda à UE

Um impasse diplomático está reduzindo a disposição da China em fornecer capital para ajudar a resolver a crise da Zona do Euro. O entrave foi levantado depois que a Europa rejeitou a mais simples das três exigências de Pequim. Em troca do auxílio, o país pediu o apoio da União Europeia ao aumento da influência do país no Fundo Monetário Internacional (FMI), ao fim do embargo de armamentos e à obtenção da condição de economia de mercado na Organização Mundial do Comércio (OMC).

A questão do FMI seria a mais simples diplomaticamente, especialmente depois que líderes da União Europeia criaram um plano para ampliar os recursos do Fundo de Europeu de Estabilidade Financeira (Feef). Fontes em Pequim, entretanto, disseram que essa opção foi abruptamente negada à China, quando ficou claro para os políticos da União Europeia que qualquer investimento vindo do país estaria condicionado a um poder maior nas decisões do fundo monetário. EUA mais confiantesOs consumidores dos Estados Unidos parecem estar retomando a confiança, apesar da crise. Em novembro, o índice que mede a disposição de gastar dos norte-americanos subiu ao seu maior nível em cinco meses, segundo pesquisa divulgada ontem pela agência Reuters em parceria com a Universidade de Michigan. O indicador passou de 60,9 para 64,2 pontos, superando a previsão média dos analistas de 61,5 pontos.

Em relação às próprias finanças, mais consumidores relataram piora. Apenas um em cada cinco cidadãos espera melhora no próximo ano. “No geral, ainda é provável que o gasto real do consumidor não seja forte o suficiente durante o próximo ano para permitir as taxas mais elevadas de crescimento econômico”, afirmou o diretor da pesquisa, Richard Curtin.

A estimativa sobre o mercado de trabalho foi mais positiva. Entre os consultados, 27% apostam em um aumento do desemprego. Há três meses, esse percentual era de 43%. Já a expectativa para a inflação anual captada pela pesquisa se manteve estável em 3,2%, enquanto a perspectiva para a carestia no período entre cinco e dez anos diminuiu para 2,6%, contra 2,7%. Milionário pede falência
Sean Quinn já foi o homem mais rico da Irlanda, mas declarou falência ontem após ter aplicado a fortuna da família em ações de um banco irlandês pouco antes da instituição quebrar. Quinn, de 64 anos, acumulou uma fortuna de 4 bilhões de euros em negócios no ramo de seguros antes de investir no agora falido Anglo Irish Bank, uma das maiores vítimas da bolha imobiliária da Irlanda. “É com grande tristeza e pesar que entrei com pedido de falência voluntária na Alta Corte de Belfast”, afirmou Quinn.