IPCA cai e analistas já preveem taxa na meta

Veículo: O Globo
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O IPCA, o índice de inflação do IBGE, continua acima do teto da meta do governo, apesar de ter apresentado a primeira queda em relação ao mês anterior desde agosto do ano passado. O acumulado da inflação em 12 meses chegou a 6,97%, contra 7,31% em setembro. O IPCA é usado pelo governo para a sua meta oficial, de 4,5%, podendo chegar a 6,5%. No mês, a variação do índice foi de 0,43% — conforme havia sido vazado na quinta-feira —, número menor que as inflações de setembro (0,53%) e outubro de 2010 (0,75%), em linha com as previsões dos economistas.

Segundo Eulina Nunes, coordenadora de Índices de Preços do instituto, o resultado reflete a valorização do dólar ocorrida no mês passado. Ela disse que o impacto foi sentido em alguns alimentos e em vestuário. Analistas, porém, creem que a inflação oficial do ano deve ficar entre 6,45% e 6,50%, ou seja, dentro do teto da meta:

— No IPCA de outubro já se percebe alguma influência da desvalorização do real. Alguns alimentos, principalmente commodities (produtos básicos com cotação global), ficaram mais caros.

O grupo "Alimentação e bebidas" foi a principal contribuição para o resultado do IPCA de outubro. Essas mercadorias responderam por 0,13 ponto percentual da alta de 0,43% do IPCA, em outubro. O grupo transporte foi o que caiu mais: passou de 0,78% para 0,48% no mês passado.

Eulina disse que, embora os serviços tenham apresentado forte alta no ano — 8,09%, ante IPCA de 5,43% — e nos últimos 12 meses (9,34% do serviço contra 6,97% do índice), em outubro os preços variaram 0,36%, menos que a inflação.

— Os serviços, sozinhos, representam 31% do IPCA em 2011. Os preços administrados, 24%. Ou seja, esses dois segmentos, juntos, representam 55% do índice. (Henrique Gomes Batista)