Câmara comercial critica restrição do País a investimento chinês

Veículo: DCI
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O presidente da Câmara de Comércio Brasil-China, Charles Tang, criticou o governo brasileiro por, segundo ele, rejeitar investimentos chineses num momento em que o mundo está "à porta da recessão". Tang citou como exemplo o impedimento a investidores chineses de comprar terras no Brasil e também a fixação de um imposto sobre produtos industrializados (IPI) mais elevado para veículos importados.

"Eu represento um investidor que não pôde investir no Brasil e decidiu ir para a Argentina. O Brasil está perdendo investimentos para seus vizinhos", afirmou Tang, após participar de seminário organizado pela revista The Economist .

Ele comentou que, se autorizados a comprar terras no Brasil, investidores chineses poderiam trazer ao País capital, gerar empregos e também divisas com a exportação do que produzirem. "A China é rica hoje porque soube atrair investimento de estrangeiros."

Tang disse que ficou aliviado quando o governo afirmou que avaliará investimentos de estrangeiros no setor automotivo. "Esses investimentos são bons para o Brasil e para a China."

O professor da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP) Matias Spektor disse que a "sinofobia" é um risco para o Brasil. "Será pior se deixar levar pelo medo da China", alertou.

Spektor afirmou que o Brasil deve reatar o canal de comunicação com Washington como forma de diminuir a assimetria na relação entre Brasil e China. "Hoje esse canal está fechado".

Charles Tang defendeu a China no tema "guerra cambial", assunto sempre levado pelo Brasil a fóruns. O Brasil acusa países como a China de manterem sua moeda artificialmente desvalorizada para se manter competitivo em relação aos concorrentes. "Os culpados acham mais fácil culpar a China do que se defender", disse.

O empresário se refere aos EUA, que emitiram moeda para impulsionar sua anêmica economia, mas também não poupou críticas ao Brasil. Segundo Tang, "a gastança excessiva" do governo brasileiro tem como resultado juros mais elevados, que provocam mais entrada de moeda estrangeira e fortalece o real. Com isso, as exportações brasileiras perdem competitividade e os importados ficam mais baratos. "A China adota uma política cambial favorável a sua economia. O Brasil deveria fazer o mesmo", aconselhou.