Dólar volta a ficar abaixo de R$1,70

Veículo: O Globo
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O dólar voltou a ficar abaixo de R$1,70 ontem pela primeira vez desde 9 de setembro, e fechou cotado a R$1,684, com queda de 1,46%. O recuo teve ajuda do Banco Central (BC), que atuou no mercado futuro de câmbio. A moeda americana acumula desvalorização de 10,52% neste mês, revertendo parte da disparada de setembro. Já o dólar turismo recuou 1,63% ontem no Rio, para R$1,80. Em dia de acomodação nos mercados globais, o Ibovespa, índice de referência da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), subiu 0,41%, aos 59.513 pontos.

O real foi a moeda que mais se valorizou perante o dólar entre 16 divisas acompanhadas pela agência Bloomberg News. O BC fez um leilão de swap cambial tradicional, operação que equivale a uma venda no mercado futuro. A autoridade vendeu o equivalente a US$791,2 milhões em contratos, de um total ofertado de US$1,5 bilhão. O leilão estava previsto e o objetivo foi trocar contratos antigos que estavam vencendo.

Para José Carlos Amado, operador de câmbio da corretora Renascença, a demanda pelos contratos demonstra que o mercado não está mais apostando em forte alta do dólar.


Objetivo do BC foi estender liquidez, diz especialista

Desde a piora da crise externa em agosto, movimentos no mercado futuro de câmbio provocaram uma disparada no dólar. Em setembro, a moeda americana avançou 18,14%. Investidores estrangeiros, que até julho apostavam fortemente na desvalorização do dólar, foram os principais responsáveis.

Para atenuar a alta, o BC voltou a fazer leilões de swap cambial, o que não ocorria desde junho de 2009. O primeiro leilão foi em 22 de setembro, quando a cotação do dólar chegou a passar de R$1,95 ao longo do pregão. Outras operações do tipo foram feitas em 3 e 4 de outubro, e alguns desses contratos (equivalentes a US$2,4 bilhões) vencerão na próxima terça-feira.

— O BC estendeu a liquidez que deu ao mercado lá atrás — diz o diretor-executivo da NGO Corretora, Sidnei Nehme.

Alfredo Barbutti, economista da corretora BCG/Liquidez, destaca que, por trás da queda do dólar nos dois últimos pregões, pode estar também a redução recente de apostas de alta no mercado futuro, diante da melhora nas expectativas para a economia internacional após o anúncio do plano europeu.

Nas bolsas de valores, depois das fortes altas de quinta-feira por causa do plano para resolver a crise das dívidas soberanas na Europa, o dia foi de acomodação. Com a alta de 0,41% ontem, puxada pela Petrobras, o Ibovespa acumula alta de 13,74% no mês.

Na Europa, Londres recuou 0,20%, Paris perdeu 0,59%, Frankfurt teve alta de 0,13% e Milão caiu 1,78%. Em Wall Street, o Índice Dow Jones avançou 0,18%, S&P; 500 teve alta de 0,04% e Nasdaq caiu 0,05%.