Apesar de corte, Brasil permanece com a maior taxa de juros do mundo

Veículo: O Globo
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O novo corte na Selic, que caiu de 12% para 11,5%, não tira do Brasil o título de país com a taxa de juros reais mais alta do mundo. Ranking elaborado pela Cruzeiro do Sul Corretora com base nas taxas praticadas em 40 países mostra que o Brasil continua isolado, e com folga, no topo da lista, com taxa real de 5,5% ao ano (já descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses). Mais que o dobro que da taxa real de 2,3% em vigor atualmente na Hungria, a segunda colocada no ranking. O Chile, com juro anual de 1,9%, é o terceiro colocado, e a Indonésia, com 1,8%, o quarto.

Entre os países do Bric (bloco das maiores economias emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia e China), depois do Brasil, a Rússia tem a maior taxa real, de 1% ao ano, o que a coloca no sétimo posto do ranking. A China é a décima, com 0,4%, e a Índia, com uma taxa real de -1,6% ao ano, a 31ª colocada.


‘Ninguém teme tanto a crise como o Brasil’

A taxa de juros reais negativa é a marca das grandes economias nesta fase da crise internacional. Hoje, o juro, já descontada a inflação, é negativo em 0,1% ao ano no Japão, vai a -1,1% na Alemanha, chegando a -3,4% e -4,5% nos EUA e na Inglaterra, respectivamente.

Jason Vieira, economista da Cruzeiro do Sul Corretora e autor do estudo, observa que, à exceção da Venezuela (onde os juros nominais estão hoje em 17,37% ao ano, ao passo que a taxa real é negativa em 7,4% devido a uma inflação de 25% ao ano) e de Israel, que promoveram cortes recentemente em seus juros de referência, o Brasil está sozinho no movimento de afrouxamento monetário.

— Ninguém está com tanto medo da crise como o Brasil — afirma Vieira.