Economia da China desacelera e cresce 9,1% no 3º trimestre

Veículo: DCI
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Pequim - O ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da China no terceiro trimestre caiu a 9,1% em ritmo anual, em um contexto internacional menos favorável: os exportadores já sentem o impacto da crise na Europa e Estados Unidos, mas as autoridades, preocupadas especialmente com a inflação, descartam flexibilizar o crédito.


"O crescimento econômico enfrenta um entorno complicado no plano interno e externo", afirmou o diretor do Escritório Nacional de Estatísticas, Sheng Laiyun.

O crescimento da segunda economia mundial, que alcançou 10,4% em 2010, foi de 9,7% em ritmo anual no primeiro trimestre, de 9,5% no segundo e de 9,1% no terceiro.

Mas as autoridades chinesas mantêm como foco a luta contra a inflação. Para conter a alta de preços, que alcançou 6,1% em setembro, depois de chegar a 6,5% em julho, o governo restringiu no último ano o crédito e elevou as taxas de juros.


Além disso, os exportadores chineses começam a sofrer com a crise das dívidas soberanas na Europa, sua primeira fonte de recursos, e uma situação econômica difícil nos Estados Unidos. Também se viram afetados pelos salários em alta na China e pela valorização do iuane, que ganhou 7% em um ano na comparação com o dólar. "Há um aumento de fatores de instabilidade e incerteza", admitiu Sheng.


A agência de classificação Moodys destacou em uma nota que o comunicado do Escritório Nacional de Estatísticas chinês não menciona a estabilidade de preços como uma prioridade e que ressalta a necessidade de aplicação de uma política mais "prospectiva, flexível e adaptada".

Sheng afirmou, no entanto, que o governo não tem no momento a intenção de modificar suas orientações econômicas.

"As medidas de controle macroeconômico têm que permanecer para manter a estabilidade", disse. "Os principais índices econômicos mostram uma leve desaceleração, mas o crescimento segue em uma via rápida e estável".


Para Alistair Thornton, economista da IHS Global Insight, com sede em Pequim, "a economia chinesa segue para um pouso suave, mas o risco de uma desaceleração brutal aumenta por causa da fragilidade das economias desenvolvidas". "As perspectivas são particularmente sombrias para os exportadores", completou Thornton.