Produto chinês ganha mais espaço no varejo

Veículo: DCI
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O crescimento constante das importações brasileiras de produtos manufaturados na China indica que a atividade varejista nacional é cada vez mais dependente das mercadorias asiáticas, principalmente de produtos como eletroeletrônicos, CDs e celulares. Especialistas na relação comercial entre as duas nações avaliam que o atual cenário é uma tendência, embora deva perder fôlego com a valorização do dólar e as medidas de proteção ao mercado interno.

O volume de importadores brasileiros de produtos chineses cresceu 23,6% entre 2009 e 2010, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). Numa relação de empresas em que predominam as da área de tecnologia, a presença de varejistas é cada vez maior, o que pode ser exemplificado pela entrada da rede C&A;, no ano passado, na lista das empresas que importam da China.

No primeiro semestre deste ano, a exportação de manufaturados da China para o Brasil cresceu 31,3%, chegando a US$ 23,3 bilhões. Eletroeletrônicos e outros produtos típicos do varejo, como CDs virgens e aparelhos celulares, lideram o portfólio, segundo o presidente da Câmara de Comércio e Indústria do Brasil e da China, Charles Tang.

O representante citou as redes Casa & Vídeo, Lojas Americanas e Submarino.com como grandes importadores de mercadorias chinesas. Mas também disse que automóveis são os produtos que mais movimentam valores na relação entre os dois países. "Como o câmbio é desfavorável no Brasil, muitos brasileiros estão optando por importar", afirmou Tang.

As últimas medidas do governo federal no setor de automóveis e a recente valorização do dólar, contudo, são fatores que desestimulam as importações. Ainda assim, o professor do Programa de Administração do Varejo (Provar), Nuno Fouto, observa que a China deve continuar sua expansão comercial por aqui.

"A China tende a crescer no País, mas não tanto quanto ela vem crescendo nos últimos anos", analisou Fouto. "A tendência é eles continuarem a vender, e a única reação possível [no mercado nacional] é uma melhoria de competitividade por parte da indústria local."

Espera-se que o intercâmbio comercial sino-brasileiro cresça 30% neste ano, compondo uma movimentação financeira de R$ 67 bilhões que deve consolidar a condição do país asiático de principal parceiro da nação americana. Muito embora o Brasil represente apenas 2% da pauta de exportações da outra nação.

"A grande fabricação chinesa é para fora. Como a economia dos Estados Unidos e da Europa está ruim, para onde vão os produtos? Vão para quem tem mercado e condição de pagar, como a Rússia, a Índia e o Brasil. E aí os chineses ficam mais agressivos ainda no País", analisou Fouto.

O assessor de Comércio Exterior da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Tavares de Oliveira, lista vantagens sobre a relação comercial entre o Brasil e a China. Entre elas, diz que as importações ajudam a refrear a inflação brasileira, promovem crescimento econômico no país de destino, com geração de empregos, e ainda engordam as reservas cambiais (que estão num patamar nunca antes alcançado: cerca de R$ 300 bilhões).

"Felizmente - apesar de algum preconceito ainda persistente contra a China - a tendência é de contínua expansão das atividades econômicas bilaterais", disse Tavares de Oliveira, que já escreveu sete livros sobre o país asiático. Há algum prejuízo para o Brasil na crescente incidência dos produtos chineses em território nacional? "Não há desvantagem alguma", defendeu.