Fundo soberano chinês pode influenciar mercado mundial

Veículo: DCI
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O fundo soberano chinês, alicerçado em US$ 300 bilhões de recursos, possui poder para influenciar diversas economias ao redor do mundo.

"Não tenho dúvida de que uma parte de recursos pode estar no mercado de renda fixa, eles são grandes aplicadores de títulos públicos americanos e podem estar com uma parcela em títulos públicos federais brasileiros através do Anexo 4, que não passa pelas corretoras, mas através dos bancos", supõe o gerente de Câmbio da Fair Corretora, Mário Batistel. "A quantidade de reservas em dólares que o fundo soberano chinês detêm é capaz de provocar alterações nos mercados", confirma o diretor da Título Corretora, Marcio Cardoso.

Nesta semana, numa demonstração de força e rapidez, o fundo soberano chinês comprou ações de quatro grandes bancos chineses - Industrial and Commercial Bank of China (ICBC), Agricultural Bank of China (ABC), Bank of China (BOC) e China Construction Bank (CCB).

Cardoso, no entanto, não acredita que os grandes fundos chineses estejam interessados em títulos de curto prazo no Brasil. "Com 6% de IOF e a necessidade de hedge cambial, só vale a pena investir em títulos de longo prazo", avalia o diretor da corretora, referindo-se a hipótese que circula pelo mercado financeiro.

Em evento recente na Fundação Getúlio Vargas, o diretor de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Gianetti da Fonseca defendeu que os grandes fundos chineses possuem poder suficiente para valorizar o real contra o dólar.

Fonseca citou como exemplo a possibilidade de manipulação do preço das commodities em países emergentes. "No Chile, o preço do cobre poderia ser alterado em favor dos chineses", alertou o diretor de Comércio Exterior.

Mesmo no mercado de derivativos de commodities brasileiros existe a preocupação com o poder econômico chinês. "O Brasil vende 28 milhões das 60 milhões de toneladas de soja que a China importa", citou o operador de Mercado da corretora Terra Futuros, Flávio Oliveira.

Na última terça-feira, o derivativo financeiro de soja para maio de 2012 subiu 4,8% ante a expectativa de que as exportações americanas de soja para a China seriam afetadas pela seca nos estados produtores.

Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F;), o derivativo financeiro de soja para maio de 2012 estava sendo negociado a US$ 27,90 por saca de 60 quilos, ao passo que a cotação de paridade com a Bolsa de Chicago negociava em US$ 27,70 para maio de 2012. "A China aproveitou os preços mais baixos em Chicago. O mercado havia caído cerca de 30% nos últimos 40 dias, e ensaia uma recuperação pela corrida dos investidores para cobrir as posições vendidas", argumentou Flávio Oliveira, da Terra Futuros.

Na BM&F;, o contrato de soja operava com US$ 1 de alta para a saca de 60 quilos. "O produtor já vendeu no mercado futuro 26% da nova safra 2011/2012 principalmente através de tradings e em menor escala na BM&F;", citou o operador do mercado. Para efeito de comparação, no mercado à vista, a soja está sendo comercializada a US$ 26,68 a saca ou R$ 49,50 no Porto de Paranaguá, no Paraná.

Dólar

Na terça-feira, o dólar fechou em queda de 0,28% a R$ 1,759. "Mantido os fatores que a conjuntura internacional apresenta o dólar estará mais próximo de R$ 1,70 do que de R$ 1,90 pouco antes, mas longe de R$ 1,50 do cenário de julho", contextualiza Cardoso, da Título Corretora.

Batistel, da Fair, vê solavancos de curto prazo pelo caminho. "A não aprovação pela Eslovênia do plano para a Grécia pode deixar o mercado nervoso na quinta-feira [hoje] e na sexta-feira", considera o gerente de câmbio.

Derivativos agrícolas

Na última sessão da BM&F;, o derivativo futuro de milho para novembro de 2011 estava sendo negociado a R$ 30,45, com 38 centavos de alta ou 6,61%.

O derivativo futuro de café para dezembro de 2011 era negociado a R$ 319 com 45 centavos de baixa, e o derivativo futuro de boi gordo para outubro de 2011 negociava contratos com o preço da arroba sendo negociado a R$ 100,50 com 36 centavos de baixa.

Em Nova York, na mesma data, o contrato futuro de açúcar para março de 2012 era comercializada a US$ 572 por tonelada ou US$ 0,2596 por libra peso, equivalente a 453 gramas.

Em setembro, a BM&F;, os derivativos de soja com liquidação financeira, registraram crescimento de 9,74% no mês, com a negociação de 15.944 contratos no mês de setembro, ante 14.528 no mês anterior.

As opções sobre futuro de commodities totalizaram 53.167 contratos, em setembro, ante 41.561 no período anterior, com avanço de 27,92% no período. Ao final, foram registrados 148.035 contratos em aberto, ante 136.855 no mês anterior, com crescimento de 8,17%.

No mesmo mês, o estoque de títulos do agronegócio cresceu 22,91% para R$ 6,92 bilhões, ante R$ 5,63 bilhões, em agosto.