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O avanço da participação da China é elevado na economia brasileira

Veículo: DCI
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Os chineses promovem uma verdadeira invasão do Brasil, por diversos flancos. Mineração, petróleo, agronegócio, produtos eletrônicos e mercado financeiro: em todos estes segmentos da economia é cada vez mais visível a presença dos asiáticos. Desde 2003, as importações brasileiras de produtos chineses foram multiplicadas por dez, passando de US$ 2,147 bilhões para R$ 20,948 neste ano (de janeiro a agosto). As exportações seguiram o mesmo caminho, e passaram de US$ 4,533 bilhões no primeiro ano de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para US$ 29,050 bilhões no acumulado dos oito primeiros meses deste ano.

Um dos principais alvos dos chineses é a mineração. O objetivo é produzir aqui e exportar à China a preços mais baixos que os praticados pela Vale. Welber Barral, ex-secretário do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) e sócio da Barral M. Jorge Consultores Associados, indica que uma grande dependência de recursos oriundos da China pode ser maléfica para o País. "É arriscado para o Brasil depender da China para exportar commodities. Embora se fale muito, ela ainda não tem condições de salvar o mundo em um período de crise", diz.

No mercado financeiro, os fundos de investimentos chineses têm demonstrado interesse por títulos públicos brasileiros de curto prazo, inclusive com o poder de influenciar a cotação do real frente ao dólar, segundo especialistas ouvidos pelo DCI.

Enquanto isso, na economia real, empresas chinesas de diversos setores anunciam planos de iniciar ou ampliar seus negócios em território brasileiro. Huawei e ZTE vão abrir mais duas fábricas no País. A perspectiva de duplicar a produção aqui vem do aumento da demanda por celulares e tablets. Este movimento conta com o apoio do governo federal, que se esforça em conceder isenção fiscal a fabricantes de tecnologia que queiram explorar o segmento. Segundo o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, Charles Tang, que esteve com representantes das empresas naquele país asiático, essas possibilidades eram faladas abertamente na ocasião.

Embora deva perder fôlego com a valorização do dólar e as medidas de proteção ao mercado interno, o impacto dos produtos chineses no varejo nacional, que sempre foi expressivo, tende a crescer puxado por eletroeletrônicos e eletrodomésticos, como celulares e CDs virgens. A China está cada vez mais atenta também ao setor automotivo local. Prova disso são os investimentos da chinesa Baoji Oilfield Machinery Company (Bomco), fabricante de máquinas e equipamentos para prospecção e extração de petróleo e gás, na Bahia. Inicialmente, o aporte será de R$ 130 milhões para a abertura de fábrica em Salvador, em joint venture entre a asiática e as brasileiras Asperbras e Brasil China Petróleo. "O Brasil é um País muito rico em petróleo", diz Zhang Yongze, presidente da Bomco.

Os asiáticos também estão interessados em produzir alimentos. Dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) indica que cerca de 35 mil propriedades rurais pertencem a estrangeiros. À frente estão japoneses (23%), norte-americanos, argentinos e chineses (cada um com 1%). Por isso o Congresso quer restringir a compra de terras por parte de estrangeiros.


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