Itamaraty reforça área de defesa comercial

Veículo: O Globo
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Diante da crise econômica internacional, que pode aumentar as disputas entre os países na Organização Mundial do Comércio (OMC), o Itamaraty está reforçando os instrumentos de defesa e ampliando sua estrutura na área de negócios. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, anunciou ontem medidas que o governo pretende adotar até 2015, para incentivar as exportações brasileiras e o comércio bilateral. A primeira delas é dobrar o número de diplomatas encarregados da área de Contenciosos do Itamaraty, dos atuais quatro para oito, mais um coordenador.

O ministério também vai criar uma força-tarefa sobre a China, por ser um dos principais parceiros comerciais do país e um dos alvos mais comuns de investigações protecionistas. O governo quer ainda tornar regulares os encontros entre o Itamaraty e as lideranças comerciais do país, para identificar quais são as principais barreiras para a exportações dos produtos nacionais.

O ministério vai aumentar, também, de 35 para cem o número de estudos sobre investimento e comércio e de pesquisas de mercado contratados ou realizados pelo Departamento de Promoção Comercial.

Ao ser perguntado se as medidas adotadas deveriam aumentar o número de contenciosos na OMC, o ministro disse que não é mau investimento “desenvolver uma expertise que já existe no país”. Ele afirmou que o Brasil tem cada vez mais parceiros e comentou da abertura de várias embaixadas nos últimos anos. Citou, por exemplo, que na região dos Bálcãs, o Brasil somente não conta com representações na Macedônia e em Montenegro. Citou que recentemente o país abriu embaixadas na Bósnia e na Albânia:

— O cenário está em evolução e precisamos ver como trabalhar neste novo cenário. O cenário exige reflexão.

A questão da guerra cambial entre os países, que tem sido uma das grandes preocupações do Brasil, começa a ser discutida na OMC, disse o embaixador Roberto Carvalho de Azevêdo, representante do país neste fórum.

— A principal preocupação foi forçar a discussão na OMC, (a organização) não pode estar alheia. Não se pode dizer que (o câmbio) não vai ter impacto (no comércio) — afirmou Azevêdo, que admite que qualquer decisão não vai ser rápida, porque precisa ser tomada por consenso.

O subsecretário-geral de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores, Valdemar Carneiro Leão, disse que a crise econômica e o desemprego no mundo geraram medidas protecionistas dos países, que acabaram dificultando as negociações em relação à Rodada de Doha, que vai terminar este ano sem avanço.