Indenização dos EUA ao Brasil vai ajudar produção de algodão na África

Veículo: Folha da São Paulo
Seção: Mundo
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O Brasil vai dar ajuda financeira para países em desenvolvimento, especialmente os da África subsaariana, fortalecerem sua produção de algodão. A origem desses recursos será a compensação paga pelos Estados Unidos ao Brasil devido aos subsídios concedidos pelo governo americano aos produtores de algodão.

O pagamento de US$ 147 milhões anuais ao Brasil é depositado em um fundo do IBA (Instituto Brasileiro do Algodão), criado justamente para administrar o montante, hoje aplicado em pesquisas e desenvolvimento do setor no Brasil.

De acordo com protocolo assinado nesta segunda-feira (10) entre o Itamaraty e o instituto, 10% desse recurso será destinado para o financiamento de projetos de cooperação internacional no setor do algodão.

"O governo brasileiro reitera, no entanto, que a plena implementação pelos EUA das determinações da OMC no contencioso do algodão é o modo mais efetivo para gerar benefícios duradouros aos países que têm na cultura do algodão uma fonte de renda, empregos e desenvolvimento", afirma nota do Itamaraty.

Em 2009, a OMC (Organização Mundial do Comércio) permitiu que o Brasil retaliasse os Estados Unidos em US$ 829 milhões, mas um acordo entre as duas partes acertou uma compensação temporária. A Câmara dos Representantes dos EUA aprovou em junho o bloqueio desse pagamento ao Brasil, mas a medida ainda precisa passar pelo Senado.

Se aprovada no Congresso dos EUA, o Brasil promete fazer retaliações comerciais aos EUA.

EXPANSÃO COMERCIAL

O chanceler brasileiro, Antonio Patriota, também anunciou medidas para ampliar as exportações brasileiras e diversificar os parceiros comerciais - a intenção é reforçar os laços com países em desenvolvimento, menos atingidos pela crise econômica internacional.

"É com esse objetivo que estaremos viabilizando encontros regulares das áreas econômica e de promoção comercial do Itamaraty com lideranças empresariais brasileiras do setor manufatureiro e agronegócio, a fim de que sejam melhor mapeadas as dificuldades específicas que os diferentes setores por ventura enfrentem em seu esforço exportador", disse o ministro.

O ministério vai desenvolver estudos para mapear as barreiras comerciais aos produtos nacionais e pretende qualificar diplomatas brasileiros em países considerados estratégicos para o agronegócio brasileiro para ampliar as possibilidades de comércio de produtos nacionais.