Nissan investirá R$ 2,6 bilhões em fábrica no Rio

Veículo: O Globo
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A Nissan investirá R$ 2,6 bilhões em uma nova fábrica em Resende, no Sul fluminense. A unidade entrará em operação no primeiro semestre de 2014 e terá capacidade para produzir até 200 mil veículos por ano, volume que poderá ser ampliado numa segunda etapa de investimentos.
O projeto, antecipado pelo GLOBO, vai gerar dois mil empregos diretos e ao menos outros dois mil indiretos. A fábrica completa a estratégia de crescimento da montadora em mercados emergentes, disse o presidente mundial do grupo Renault-Nissan, Carlos Ghosn. Segundo ele, os países do Brics já representam 25% das vendas da montadora:
— O tamanho do mercado brasileiro por si só justifica o investimento. O país é o quarto mercado do mundo e tem enorme potencial de crescimento.
Dos 4,8 milhões de veículos que a Nissan projeta vender em 2011, o Brasil responderá por 60 mil a 70 mil unidades. A meta é ser a principal montadora asiática no país, posto já alcançado na China e na Rússia. A expectativa com a nova fábrica é, até 2016, elevar de 1,7% a 5% a participação no mercado brasileiro. A produção da fábrica ampliará a cobertura no Brasil de 23% para 90% no mesmo período. Hoje, grande parte dos veículos Nissan vendidos no país é importada do México. Outros 59 mil são feitos na fábrica da associada Renault, que continuará a produzir os modelos Nissan Livina, Grand Livina, X-Gear e Frontier.
A fábrica de Resende produzirá modelos populares e veículos da chamada Plataforma V da Nissan para o mercado interno e para a América Latina. Durante o anúncio oficial do investimento, no Palácio Laranjeiras, Goshn e o governador Sérgio Cabral apresentaram o Nissan March, primeiro modelo popular da montadora no país, e o elétrico Leaf, sem prazo de produção local. Em novembro a marca lança o sedan Versa. Para atrair o investimento, o Rio concedeu incentivo fiscal à montadora por meio do Rioinvest. Segundo o secretário de Desenvolvimento, Julio Bueno, a Nissan pagará 25% do ICMS até completar os R$ 2,6 bilhões — quando volta a pagar a alíquota na íntegra. Na prática, a montadora pagará 20% de alíquota e poderá financiar outros 80%.
Mas o governo acertou a recompra de 5% do débito pela empresa. Os 75% restantes do ICMS acumulados durante o investimento poderão ser amortizados em 30 anos, com
1% de juro. O Rio também doou o terreno de 3,2 milhões de metros quadrados para a fábrica. Segundo Bueno, a receita seria repetida numa segunda etapa, com a ampliação
da fábrica e a construção de um centro de pesquisas. Somados, seriam R$ 5,9 bilhões, estimou Bueno.