Para sindicatos, férias indicam pressão das montadoras

Veículo: DCI
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O anúncio da Fiat, feito na última sexta-feira, de férias coletivas para cerca de 2 mil funcionários para ajuste de estoques na planta de Betim (MG), pode sinalizar uma forma de pressão por parte das montadoras. Esta é a opinião de alguns sindicalistas ouvidos pelo jornal DCI.

"Estamos trabalhando a pleno vapor e o consumidor ainda precisa esperar 90 dias para receber seu automóvel", afirma José Alves de Almeida, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim e Igarapé.

De acordo com Almeida, os trabalhadores da região estão em processo de campanha salarial e esse seria um dos motivos que teriam motivado a montadora a conceder férias coletivas. "Desde janeiro a Fiat tem trabalhado todos os sábados. Não vemos motivo para paralisação", diz.

Segundo nota divulgada pela Fiat, serão compostas de dez dias as férias coletivas, período de parada que ocorrerá para "ajustar estoques e adequar a oferta de modelos no mercado".

Para Vivaldo Moreira Araújo, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região - onde a General Motors (GM) possui uma de suas plantas - as montadoras sempre anunciam paralisações como forma de pressão. "As empresas utilizam esse artifício para pressionar seus funcionários em períodos de campanha salarial."


Os trabalhadores da planta da Fiat em Betim pedem reajuste de acordo com a inflação e 5% de aumento real. Já a montadora ofereceu cerca de 8,5% , o que "não passa de 2% de aumento real", segundo Almeida. O sindicalista ressalta que as novas medidas acerca do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para importados também podem ter influenciado na decisão da Fiat.


Procuradas pela reportagem do DCI, a Volkswagen, GM e Ford disseram que não têm paradas programadas e que os estoques estão "ajustados". A Fiat não respondeu à solicitação.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Associação Nacional dos Fabricantes dos Veículos Automotores (Anfavea) afirmou que os estoques nas montadoras já somam 37 dias (segundo dados mais recentes, divulgados no mês de agosto).



Mudança de regras

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, disse que o governo está aberto a receber propostas de montadoras interessadas em ter fábricas de veículos no país. Porém, Pimentel garantiu que não pretende alterar a regra que aumenta o IPI para importados em 30%.

O ministro afirmou que, até o momento, o governo não recebeu nenhuma proposta de montadoras estrangeiras. Pimentel disse que as empresas "sérias", que tiverem interesse em fabricar e desenvolver produtos no Brasil, terão suas propostas analisadas. "Temos algumas sinalizações de empresas que estão seriamente interessadas em vir, mas nada concreto até o momento", afirmou Pimentel.

A instalação no Brasil de montadoras asiáticas como JAC e Chery, ambas chinesas e que hoje operam com importação de automóveis, passou a ser questionada após a elevação do IPI. As duas empresas ainda não confirmaram se irão cancelar o plano de se instalarem no País.

Crédito à vista

Em paralelo, o financiamento de veículos tem apresentado, desde o início do ano, redução do ritmo de crescimento devido às medidas tomadas pelo Banco Central (BC) ainda no final de 2010. Porém, o mês de agosto demonstrou recuperação do saldo total e volume de concessões.

Para especialistas, o crescimento está de acordo com o esperado pela autoridade monetária. De acordo com dados do BC, o mês de agosto demonstrou crescimento de 13,2% em relação ao mês anterior e o saldo de crédito para automóveis ultrapassou os R$ 164 bilhões no período, alta de 1,9% no mês.