Investidor estrangeiro retira R$508 milhões do mercado

Veículo: DCI
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Até o dia 23 de setembro, a BM&FBovespa; apontava saldo negativo de R$ 508,40 milhões na movimentação de investidores estrangeiros na bolsa brasileira, acumulando retirada de R$ 618,80 milhões no ano.

"O que move a nossa bolsa são as commodities, e elas estão com viés de baixa", explica o analista da TOV Corretora, André Mello.

Em pronunciamento ontem na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE), o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, disse que não há bola de cristal para prever a crise.

Ele citou que levantamentos internacionais mostram que o valor de mercado das bolsas de valores mundiais registra perda aproximada de US$ 10 trilhões. "Essa perda de riqueza tem efeito negativo e perverso sobre o comportamento dos agentes econômicos", disse o presidente do BC.

Um dos efeitos, segundo Tombini, é a redução das perspectivas de crescimento do Produto Interno Bruto dos países. "Há uma redução drástica das percepções de crescimento, uma revisão significativa", afirmou ele, ao comentar que o Comitê de Política Monetária (Copom) já havia alertado para a redução das previsões de crescimento de economias, como a dos Estados Unidos.

Ao ser questionado sobre os impactos da crise financeira internacional sobre a economia brasileira, Tombini lembrou que a ata da reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom) previa que o Brasil sentiria cerca de um quarto do efeito visto na crise de 2008/2009. O efeito, porém, poderá ser alterado. "Se ocorrer um novo evento, será preciso reavaliar os impactos", disse Tombini, referindo-se a um possível calote da Grécia.

O temor desse desfecho permanece no radar dos analistas. "Não mudou muita coisa para justificar uma alta nas bolsas, até vejo uma preocupação", alerta o economista-chefe da corretora Souza Barros, Clodoir Vieira.

André Mello, da TOV Corretora, no entanto, diz que o mercado começa a divisar a possibilidade de o calote grego estar mais distante. "Mas ainda há uma redistribuição do risco das carteiras e a preocupação com o desemprego nos Estados Unidos", afirma.

Na sua visão, apesar da saída da Bolsa, ainda há estrangeiros atentos às oportunidades de compras no Brasil. "Sobretudo quando eles olham para os papéis da Petrobras", diz Mello.

Vieira, da Souza Barros, avalia que quando o estrangeiro deixa a Bolsa brasileira vai para títulos do Tesouro americano. "Ainda são considerados os mais seguros do planeta", admite o economista.

Quanto às alternativas para o investidor brasileiro, Vieira aponta os títulos públicos federais disponíveis no Tesouro Direto. "Para prazo abaixo de um ano, os papéis prefixados, e acima desse período, os indexados à Selic ou os pós fixados em IPCA", indicou.



Bolsa e Dólar

A moeda americana fechou em baixa de 0,99%, cotada a R$ 1,804, e o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, o Ibovespa, subiu pelo segundo dia consecutivo, com avanço de 0,32% ontem, a 53.920 pontos.

Mas o volume de R$ 5 bilhões é considerado abaixo da média pelos especialistas, confirmando a saída de investidores estrangeiros do mercado brasileiro. Entre os de maior alta, figuraram os papéis de: Itaú Unibanco PN, que avançou 4,13%, a R$ 29,19 e Itaúsa PN, com alta de 4,02%, cotado a R$ 9,56.

O papel da CCR subiu 3,76% e fechou em R$ 46,85, seguido pelo da construtora PDG Realt, em alta de 3,39% ao preço final de R$ 6,39, e a Companhia Hering avançou mais 2,62%, cotado a R$ 32,84.

Do lado negativo, a B2W Varejo recuou 4,91%, o frigorífico exportador Marfrig registrou baixa de 3,65%, e a Duratex, queda de 2,47%, seguido por Telemar em perdas de 2,46% e da ALL América Latina com recuo de 2,28%.

No ano, até 23 de setembro, o papel da TIM Participações PN registra alta de 46,22%, seguido por Telesp PN com alta de 31,41%, Cielo com 27,05%, Redecard com 24,95% e Cemig PN com 16,79%.

Na ponta negativa, no ano até 23 de setembro, a aérea Gol amargava 51,61% de queda, seguida por Marfrig em perda de 50,02%, B2W Varejo recuando 48,40%, OGX Petróleo em baixa de 42,65% e Hypermarcas, recuo de 40,45%.