Os pilares que sustentam o Programa Brasil Maior

Veículo: Brasil Econômico
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A diferença agora é que não estamos enfrentando uma crise de crédito, mas de estagnação dos países mais industrializados. Como desdobramento da quebradeira de três anos atrás, os países mais ricos enfrentam o aumento do desemprego e falta de mercado para colocar seus produtos manufaturados. Mais do que nunca, o Brasil precisa proteger sua indústria de um comércio internacional cada vez mais agressivo. Esse é o escopo do programa Brasil Maior. A nova política industrial prevê um conjunto de medidas de estímulo ao investimento e à inovação, apoio ao comércio exterior, defesa da indústria e fortalecimento do mercado interno. Em outra frente, o governo federal atua na melhoria do perfil das contas públicas. A presidente Dilma Rousseff está decidida a criar mecanismos para controlar a evolução dos gastos com o custeio da máquina. Nesse sentido devemos aprovar ainda este ano a criação do fundo de pensão dos funcionários públicos. Isso ajudará, no futuro, a reduzir a dívida da previdência dos servidores, que hoje é bancada pelo Tesouro. A pressão nas contas passa pela desindexação da dívida pública, reduzindo o estoque pré-fixado pela taxa básica de juros (Selic). A redução em meio ponto percentual na taxa Selic, anunciada pelo Banco Central, reflete indicadores macroeconômicos muito positivos - reservas cambiais de mais de US$ 350 bilhões, depósitos compulsórios superiores a R$ 400 bilhões, recordes de arrecadação e superávit fiscal, cuja meta para o ano já foi atingida. O quadro é favorecido pela decisão do governo de economizar uma parcela maior de suas receitas para pagar os juros da dívida pública, elevando para R$ 127,90 bilhões a meta do superávit primário, aumento de R$ 10 bilhões. As pressões inflacionárias que surgiram neste ano devido ao grande ritmo de crescimento econômico em 2010, como a demanda aquecida, já diminuíram consideravelmente diante das medidas monetárias adotadas, chamadas "macroprudenciais". Entre elas a que limitou e encareceu os empréstimos de longo prazo para a compra de bens de consumo duráveis. O cenário econômico internacional é muito preocupante e certamente afetará a atividade econômica mundial durante muito tempo. Mas o Brasil, graças à estabilidade consolidada nos últimos anos, continua sendo a melhor opção para os investidores internacionais. Segundo um estudo divulgado recentemente pela consultoria Financial Dynamics, o país é o preferido entre os Brics - que incluem China, a Índia e a Rússia - por investidores americanos no mercado acionário. Cerca de 60% dos gestores americanos apontam o Brasil como principal destino de seus investimentos. A China está em segundo lugar, com 27%. Outra prova cabal de que é possível conciliar responsabilidade fiscal e monetária com distribuição de renda e justiça social é o fato de que, no próximo ano, o salário mínimo atingirá o valor de R$ 619,21. O aumento, de 13,5%, é maior que o projetado pelo governo quando do envio da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2012 ao Congresso, em abril. A crise não vai interromper esse processo de mudança, mas exigirá do governo e da sociedade atenção e ousadia para transformar a turbulência em oportunidades. Afinal, o país que construímos nos últimos anos, mais desenvolvido e justo, e que seguimos construindo, é a prova de que a esperança venceu o medo.