Setor analisa algodão em SP de olho no futuro

Veículo: Folha de São Paulo
Seção: Mercado
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Até quinta-feira, 2.500 pessoas ligadas à cotonicultura estarão debatendo o futuro do setor durante o 8º Congresso Brasileiro do Algodão, que é realizado na cidade de São Paulo. Anderson Galvão, diretor da consultoria Céleres, e que faz apresentação hoje, diz que a demanda pelo produto é crescente e que o Brasil pode consolidar sua posição nesse setor. O analista não vê, no entanto, um caminho fácil para os brasileiros. "A oportunidade para o país crescer depende de uma política do governo, que deixa a desejar. Faltam planejamento e visão estratégica", segundo ele. Enquanto outros governos buscam incentivar a produção de grãos, o país coloca cada vez mais custos na produção brasileira, seja via limitação à compra de terras por estrangeiros -o que diminui o investimento-, seja por meio de leis ambientais mais restritivas, afirma. A elevação de preços das commodities permitiu que até países marginais na produção de alimentos, como o Camboja, já participem do mercado externo. A África passará a ser grande participante na produção nos próximos 10 a 15 anos. E a China, que hoje é uma grande importadora de grãos, também se prepara para produzir mais. O aumento da oferta de grãos na China não será difícil, apesar de o país não ter novas áreas para explorar, diz Galvão. "Eles vão buscar maior produtividade e vão conseguir porque têm baixos custos de insumos, de máquinas, demanda interna forte e, principalmente, boa vontade do governo." A posição de vantagem competitiva do Brasil começa a ser ameaçada, dirá hoje Galvão no congresso da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão). No seco Os produtores de soja de Mato Grosso estão prontos para a maior safra do Estado. Pelo menos é o que indicam as estimativas atuais: 21 milhões de toneladas. A falta de umidade no solo, no entanto, já começa a adiar o plantio. Pressa Os sojicultores têm pressa porque a safra de milho, que se segue à de soja, pode ser tão rentável como a primeira devido aos bons preços internacionais do cereal. Milho Os bons preços do cereal incentivaram também os produtores de Mato Grosso a aumentar a área, que deve chegar a 2 milhões de hectares na safra 2011/12, segundo o Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária). Se confirmada, superará em 14% a anterior. Carnes As exportações da terceira semana perderam ritmo em relação às duas anteriores. Mesmo assim, com a marca de US$ 64 milhões por dia útil, superam os US$ 54 milhões do mês passado. Efeito Paraguai 1 A ocorrência de aftosa no Paraguai pode atrapalhar a abertura da carne bovina brasileira para os EUA, afirma Pedro de Camargo Neto, presidente da Abipecs (associação dos exportadores de suínos). Efeito Paraguai 2 A proximidade do foco com o Brasil pode fortalecer a campanha de pecuaristas americanos contra a carne brasileira. DE OLHO NO PREÇO COTAÇÕES Londres Petróleo (US$ por barril) 109,14 Alumínio (US$ por tonelada) 2.310 Mercado Interno Frango (R$ por quilo) 2,00 Suíno (R$ por arroba) 52,20