Emprego formal cresce, mas a tendência mudou

Veículo: O Estado de S. Paulo
Seção: Economia
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O número de empregos formais criados em agosto - 190 mil - foi muito inferior (-36%) aos 299 mil do mesmo mês do ano passado, segundo dados do Ministério do Trabalho, mas nem por isso é ruim a situação do mercado de mão de obra. A comparação só é muito desfavorável em relação a uma fase de euforia econômica, quando os gastos públicos eram exacerbados, que, evidentemente, não poderia ser repetida neste ano, sob pena de grave desequilíbrio macroeconômico. Em agosto, com exceção da agropecuária e dos serviços de utilidade pública, o emprego aumentou em todos os setores da atividade. A indústria de transformação abriu 35 mil vagas (+0,43%), enquanto os serviços contratavam 94 mil pessoas; o comércio, 44 mil; e a construção civil, quase 32 mil. Foram contratados, entre janeiro e agosto, 1,85 milhão de empregados com carteira assinada e, em 12 meses, quase 2,1 milhões. Não há como falar em mau resultado, ainda que os dados sejam piores que os de julho e de agosto de 2010 - quando os saldos foram, respectivamente, de 1,95 milhão e de quase 2,27 milhões de vagas. Afinal, o PIB cresceu 8%, em 2010, prevendo-se 3% a 4%, neste ano. No setor secundário, onde a desaceleração é mais percebida, a indústria de alimentos e bebidas abriu 17 mil vagas (+0,93% em relação a julho); química e produtos farmacêuticos e veterinários, 6,4 mil vagas; e os segmentos de mecânica, materiais de transporte e calçados abriram, cada qual, mais de 3 mil postos. Os números foram fracos nas indústrias de papel, papelão e materiais de escritório e de têxteis e vestuário, mas só na indústria de borracha, fumo e couros houve fechamento de vagas (7,5 mil). Os dados da Fiesp, relativos à indústria paulista, apontam queda do emprego (-0,49%), mas não são comparáveis aos do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. Só alguns dados do Caged foram muito negativos. Por exemplo, em Minas Gerais foram fechadas 801 vagas em agosto - e no Acre, Rondônia e Rio Grande do Sul o crescimento do emprego foi baixo. Nas regiões metropolitanas, ocorreu o acréscimo de quase 80 mil postos formais, dos quais 32 mil, em São Paulo; 13 mil, no Rio; 8 mil, no Recife; e quase 7 mil, em Belo Horizonte. A meta oficial de 3 milhões de vagas, em 2011, não será atingida e, possivelmente, nem os 2,7 milhões agora previstos pelo governo. Mas, apesar da mudança da tendência, não se pode interpretar os dados do emprego no Brasil com pessimismo.