Preços ao consumidor aceleram na França e no Reino Unido em agosto

Veículo: Valor Econômico
Seção: Internacional
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PARIS - Os preços ao consumidor aceleraram em dois dos principais países da Europa em agosto. Na França, o IPC teve alta de 0,5% na comparação com julho e de 2,2% ante agosto do ano passado, puxado por vestuário e calçados e pelo segmento de energia.

Os números, divulgados pela agência de estatísticas do país, a Insee, são superiores às altas de 0,4% e 2,1% esperadas por analistas e também representam uma aceleração em relação a julho, quando o IPC havia subido 0,4% ante junho.

Apesar do resultado acima das previsões, as perspectivas para a inflação na França continuam contidas, já que o crescimento da segunda maior economia da zona do euro mostra sinais de desaceleração significativa.

“Mantemos nossa visão para a inflação francesa, que deve gradualmente arrefecer-se, em linha com a renda das famílias”, disse a economista da Natixis Camille de Williencourt. “No contexto atual de desemprego elevado e lucros corporativos baixos, não deve haver pressão dos aumentos de salários.”

No Reino Unido, o Departamento de Estatísticas Nacionais informou que o IPC subiu 4,5% nos 12 meses até agosto, o que também significa leve aceleração ante os 4,4% acumulados no ano até julho. O resultado, entretanto, é inferior à alta de 4,6% esperada por analistas para o mês passado.

A inflação britânica continua sendo mais do que o dobro da meta do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), que é de 2,0%. O banco central do país prevê que a inflação ficará próxima dos 5,0% ao final deste ano, puxada principalmente pelos preços de energia.

Poucos economistas, no entanto, acreditam que o BoE irá apertar sua política monetária para conter as pressões inflacionárias no curto prazo. Ao contrário, os sinais econômicos cada vez mais fracos despertaram especulações de que a autoridade monetária possa vir a afrouxar ainda mais, retomando um programa de recompra de bônus.