Redução do emprego na indústria paulista

Veículo: O Estado de São Paulo
Seção: Economia
Página:

São Paulo puxou para baixo, em julho, os indicadores de emprego e renda no País, segundo a Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário. Entre os meses de julho de 2010 e 2011, o pessoal ocupado assalariado crescia, no País, em pequeno porcentual (0,4%), mas em São Paulo, com elevado peso na economia, houve uma redução do pessoal empregado, de 2%.

Como as medidas de afrouxamento monetário iniciadas em agosto tendem a apresentar efeitos somente no ano que vem, é provável que se acentue a tendência de desaceleração do emprego - verificada desde janeiro, com uma única exceção, em fevereiro. Na comparação entre os primeiros sete meses de 2010 e 2011, houve aumento de 1,7% no nível do pessoal ocupado, mas, em São Paulo, houve queda de 0,1%.

Em contrapartida ao que ocorre em São Paulo, o crescimento do emprego industrial comparativamente a julho de 2010 foi expressivo no Paraná (+6,8%), nas Regiões Norte e Centro-Oeste (+2,8%), em Minas Gerais (+2,1%), Pernambuco (+7%) e no Rio Grande do Sul (+2,8%). Nessas áreas, bem como no Nordeste, a comparação ainda é favorável em relação ao mesmo período de 2010.

Na maioria das 18 áreas pesquisadas, o emprego cresceu nos setores de alimentos e bebidas, meios de transporte, máquinas e aparelhos eletrônicos e de telecomunicações, metalurgia básica e máquinas e equipamentos, mas caiu muito em papel e gráfica, vestuário, calçados e couro e madeira. A desaceleração, portanto, não ocorre apenas no setor exportador, mas também na indústria de bens destinados ao mercado interno.

O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) afirma que, "mais do que estagnado, o emprego industrial começa a dar sinais de retração". Em valores dessazonalizados, a folha de pagamento real da indústria também está crescendo menos: de 0,5%, em maio, passou a 0,3%, em junho, e a 0,1%, em julho, relativamente ao mês anterior. Comparativamente ao mesmo mês de 2010, a folha da indústria ainda cresceu 1,3% acima da inflação.

Uma explicação para o descompasso entre o ritmo de criação de emprego e o comportamento da folha de salários pode estar na tentativa de preservar os quadros mais qualificados, que em muitos casos podem encontrar vagas em setores onde é mais aguda a escassez de mão de obra. Já as incertezas sobre a inflação dificultam as decisões das empresas, algumas das quais tentam, antes de cortar custos e vagas, elevar preços, testando a resposta dos consumidores.