No Banco Central, dois dissidentes quebram a unanimidade do Copom

Veículo: Correio Braziliense Online
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Apesar de todo o esforço do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, para conseguir a unanimidade do Comitê de Política Monetária (Copom) em torno da queda da taxa básica de juros (Selic), de 12,50% para 12%, dois diretores da instituição não aceitaram endossar tal decisão. Quem acompanha o dia a dia do BC garante que os dissidentes são Carlos Hamilton Araújo (diretor de Política Econômica) e Altamir Lopes (diretor de Administração). Eles são apontados como os únicos com estofo suficiente para contestar o chefe — o placar foi de cinco a dois.

A dupla, inclusive, já teria marcado posição diferenciada à do grupo que sempre segue Tombini sem questioná-lo na reunião de abril, quando votaram pela alta de 0,5 ponto percentual da Selic, enquanto os vitoriosos escolheram a elevação de 0,25 ponto. “Diante da certeza de que Hamilton e Altamir têm adotado uma posição mais dura, muitos já se referem a eles como falcões — termo usado para definir os que não cedem às pressões políticas e se apegam mais aos dados técnicos”, disse um graduado técnico do BC. Ele lembrou que alguns se arriscam a apontar Aldo Mendes, diretor de Política Monetária, como um possível integrante da linha-dura. Mas as chances são mínimas.

“Foi o Carlos Hamilton quem preparou todo o quadro econômico apresentado no Copom. E, certamente, ele sabia os riscos que o BC estava correndo ao baixar os juros”, disse outro funcionário do BC. “Mas pode ter certeza: externamente, Hamilton sempre defenderá a posição da maioria, pois sabe a importância de preservar a imagem do Banco Central”, acrescentou. O mesmo se pode dizer de Altamir Lopes, que já foi chefiado por Hamilton quando respondia pelo Departamento Econômico do BC.

Para Carlos Thadeu de Freitas Gomes, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e ex-diretor da autoridade monetária, a discordância é saudável, pois mostra que o debate é aberto. Ele disse que, se fosse citar um responsável por um dos votos a favor na manutenção da Selic, seria o de Altamir. Flávio Combat, economista-chefe da Concórdia Corretora, endossou tal posição, mas disse acreditar que o diretor de Administração do BC foi acompanhado por Aldo Mendes. (VM)