Dólar fecha em alta de 2%, para R$ 1,708, pela primeira vez neste ano

Veículo: DCI
Seção:
Página:

A moeda norte-americana fechou a R$ 1,7095 para venda no mercado à vista, com alta de 1,93%. É a maior cotação de fechamento desde 17 de dezembro. Foi o oitavo dia seguido de valorização do dólar em relação ao real, e a maior alta diária desde 10 de agosto.

A alta do dólar foi generalizada nos mercados internacionais, com intensidade especial sobre moedas de países emergentes - como o México - ou de países exportadores de commodities - como o dólar australiano. Os dois perfis, nos quais se encaixa o real, são considerados de maior risco e sofrem quando investidores saem em busca de proteção.

A maior preocupação do mercado é com a possibilidade de um calote da Grécia, que poderia desestabilizar a zona do euro. O país tem dinheiro para financiar suas necessidades apenas até outubro, segundo o vice-ministro das Finanças, e as negociações com os credores internacionais sobre a liberação de outra parcela da ajuda emergencial foram retomadas ontem, após dias de impasse sobre o descumprimento de metas fiscais por aquele país.

Na França, ações de bancos despencaram com o temor de um rebaixamento da nota de crédito das instituições pela agência Moodys, por causa da exposição de suas carteiras à dívida grega. O ministro das Finanças da França, François Baroin, tentou acalmar os investidores dizendo que os bancos do país podem suportar qualquer crise na Grécia.

O euro, principal foco da crise, era cotado perto de US$ 1,36, 9 centavos - cerca de 6% a menos do que há dez dias. No mesmo período, o dólar subiu cerca de 7% em relação ao real.

No Brasil, operadores relataram a execução de ordens de stop-loss, nas quais os investidores reduzem posições para se proteger da volatilidade do mercado. De acordo com o diretor da corretora Pioneer, João Medeiros, exportadores que poderiam se beneficiar da alta do dólar preferiram esperar antes de ir a mercado para vender moeda estrangeira.

Os investidores estrangeiros continuam a reduzir as posições vendidas líquidas em dólar na BM&FBovespa; para diminuir a exposição ao cenário de maior volatilidade cambial.