Mercado derruba previsão de juros, a 11%, e eleva a de inflação, a 6,45%

Veículo: O Globo
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Os analistas do mercado engrossaram as previsões mais pessimistas para a inflação este ano. Agora, a estimativa, de 6,45%, encostou no limite da meta, que é de 6,5%. Mesmo com a pressão maior sobre os preços, os economistas ouvidos pelo Banco Central (BC) na pesquisa semanal Focus derrubaram a aposta para a taxa básica de juros — de 12,38% para 11% no fim deste ano —, numa demonstração de que já assimilaram a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que pegou todos de surpresa. E novos cortes são dados como certos.

Segundo a pesquisa semanal do BC, a projeção do mercado para o IPCA subiu pela quarta semana seguida: de 6,38% para 6,45%. Para 2012, a expectativa subiu de 5,32% para 5,4%, a segunda alta consecutiva.

Para o professor do Ibmec José Ricardo da Costa e Silva, o mais importante é entender de que forma a mudança de postura do BC — que interrompeu uma sequência de cinco altas seguidas da Taxa Selic com um corte de 0,5 ponto percentual — mexerá com a expectativa dos formadores de preços. Esse sentimento será fundamental para visualizar o que acontecerá:

— Se os formadores de preços entenderem que a postura do BC foi ineficiente para conter os reajustes, podem antecipar remarcações e isso terá um impacto mais forte na inflação.

Costa e Silva lembrou, porém, que os formadores de preços não são os analistas financeiros ouvidos na pesquisa do BC. Ou seja, podem ter opinião diferente da do mercado.

“A perturbação nos mercados globais, ainda não incorporadas ao cenário básico do BC, poderia levar, em nossa opinião, a Selic a ser cortada de modo mais profundo”, diz o comunicado do Itaú, divulgado ontem.

Dois cortes de 0,5 ponto percentual na Selic

A previsão da corretora Prosper segue a do mercado: dois cortes seguidos de 0,5 ponto percentual nas duas próximas reuniões do Copom. Na visão geral do Focus, a Selic começaria o ano que vem em 11% e voltaria a cair apenas em abril. Para o fim de 2012, as projeções para a Selic também apontam para 11%, o que representa queda em relação aos 11,88% previstos na semana anterior. Há quatro semanas, a taxa prevista era de 12,50%.

O levantamento mostra, ainda, que a previsão de crescimento do país continuou em queda pela sexta semana seguida e chegou a 3,56% este ano, frente a 3,67% na semana passada. A projeção para 2012 caiu de 3,84% para 3,8%.

No comunicado aos clientes, o Itaú lembra que esta semana deve ser divulgado o IBC-Br, o índice do BC que tenta antecipar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Ele deve mostrar um abrandamento da economia no terceiro trimestre.

Para a taxa de câmbio houve manutenção nas previsões de R$1,60 para o fim do ano, pela 13ª semana consecutiva. Para 2012, os analistas consultados pelo BC esperam taxa a R$1,65, o que representa estabilidade em relação as quatro últimas projeções do levantamento.