Importados derrubam uso da capacidade instalada

Veículo: O Estado de São Paulo
Seção: Economia
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O uso da capacidade instalada pela indústria da transformação, que antes da crise de 2008 chegou a ficar próximo ao limite, beirando 87%, foi derrubado pela concorrência com importados e pela desaceleração da demanda interna.

Levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV), feito a pedido da Agência Estado, mostra que a redução do nível de capacidade se espalha rapidamente no setor industrial. De 14 segmentos analisados, oito operavam em agosto com Nível de Utilização de Capacidade Instalada (Nuci) abaixo de suas médias históricas.

A FGV alerta que o Nuci geral da indústria da transformação, que atingiu 83,6% em agosto, o mais fraco para este mês desde a crise, pode ficar abaixo da média histórica de 83,3% já nas próximas apurações.

O tombo foi mais sentido nas indústrias de bens de consumo não duráveis, como a de alimentos; de bens intermediários, como aço; e semiduráveis. Neste último segmento estão os casos mais graves. A indústria têxtil operou com Nuci de 82,7% em agosto, quase 4 pontos porcentuais abaixo de sua média histórica desde 2003 (86,4%). Já a indústria metalúrgica teve Nuci de 85%, também quase 4 pontos porcentuais inferior à média histórica (88,9%).

Na metalurgia, as indústrias com recuo mais intenso em uso de capacidade foram as de ferro, aço e metais não ferrosos. Este cenário já impacta a produção de alguns segmentos. O Instituto Aço Brasil (IABr), alegando desaquecimento, estoques elevados e concorrência de importados, diminuiu em 8% a projeção de produção de aço bruto no País, de 39,4 milhões de toneladas para 36,3 milhões de toneladas.