Emprego na indústria fica estagnado

Veículo: O Globo
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O emprego na indústria do Brasil caiu 0,1% em julho sobre junho, quando também havia registrado essa variação. Frente ao ano passado, houve leve alta de 0,4%, indicador que sobe há um ano e meio. Porém, o avanço de 0,4% foi o menor desde fevereiro de 2010, conforme informou ontem o IBGE. No ano até julho, o emprego na indústria acumulou aumento de 1,7%. Nos últimos 12 meses, o emprego ainda cresce 2,7%. O salário também ficou parado em 0,1% de alta. No ano, a elevação está em 4,9%.

— O menor ritmo do mercado de trabalho na indústria, que já vem sendo observado desde o início do ano, foi causado por um conjunto de fatores: juros altos, presença de importados e mercado internacional menos dinâmico afetando as exportações — afirmou André Macedo, gerente da pesquisa.

Segundo o economista, apesar de os números apontarem para uma estabilidade, o que se tem é uma maior disseminação de números negativos entre os setores. Ele citou segmentos como calçados (-6,3%) e vestuário (-4,7%) com queda no emprego frente a igual mês do ano anterior:

— Esses segmentos sofreram impacto do dólar baixo.

A indústria ainda não repôs todo o pessoal que foi demitido depois da crise financeira de 2008. O emprego está 1,6% menor que em setembro de 2008. E as horas pagas, 1,9% menor.

— Com dinamismo menor, é natural que alguns setores apresentem estoques mais elevados que, em alguns segmentos, levem a paralisações e férias coletivas — disse Macedo.

Nesta semana, montadoras anunciaram férias coletivas em várias unidades, para poder baixar o segundo maior estoque do setor na História.

Entre as regiões, nove das 14 contratam mais sobre julho do ano passado. Já em São Paulo houve recuo de 2%.