OCDE: países ricos crescerão menos

Veículo: O Globo
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PARIS. A perspectiva de crescimento econômico para os países desenvolvidos piorou muito nos últimos três meses, anunciou ontem a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), pedindo aos bancos centrais que mantenham baixas as taxas básicas de juros e estejam dispostos a adotar outras formas de estímulo à economia. As estimativas marcam uma forte redução em relação às previsões feitas em maio pelo órgão, mas usam uma metodologia diferente, por isso, comparações não há como fazer comparações entre os dois números.

Segundo o documento, os países do G-7 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Itália, Reino Unido e Canadá) crescerão 1,6% no terceiro trimestre, porcentagem que nos últimos três meses do ano cairá para apenas 0,2% de expansão.

— Em relação aos três meses anteriores, o cenário de crescimento parece muito pior, podendo-se dizer que o crescimento está estagnando — afirmou o economista-chefe da OCDE, Pier Carlo Padoan. — Nós estamos presenciando uma desaceleração do crescimento nos países da OCDE.

Expansão dos EUA será de 1,1% e de 0,4%

A desaceleração atingirá principalmente a Alemanha. De acordo com as estimativas da OCDE, que é formada por 34 países-membros, a maior economia da Europa terá crescimento anualizado de 2,6% no terceiro trimestre. E esta expansão será seguida de uma contração de 1,4% no último trimestre do ano.

A economia dos Estados Unidos, por sua vez, avançará 1,1% no atual trimestre e apenas 0,4% no quarto.

Com o impacto total dos recentes problemas de dívida em países da Europa e nos Estados Unidos ainda desconhecidos, a OCDE alertou que há um alto risco de que o crescimento possa ser ainda mais fraco, embora tenha descartado uma recessão na escala da crise financeira de 2008-2009.

— Restaurar a confiança é uma política imperativa — afirmou Padoan.

E num cenário de deterioração das perspectivas, a OCDE disse que os bancos centrais devem manter as taxas básicas de juros.

“Se, nos próximos meses, emergirem sinais de uma persistência da fraqueza ou de riscos que levem a economia à recessão, os juros devem ser reduzidos onde houver espaço”, afirmou a OCDE.

Consumo não cresceu no segundo trimestre

De acordo com o estudo, o consumo mundial estancou no segundo trimestre de 2011. Uma das razões foi o impacto do terremoto e da tsunami que devastaram parte do Japão em março. A outra é a diminuição da demanda. A confiança dos consumidores e das empresas se deteriorou nas grandes economias da OCDE devido a perspectivas fracas, aos problemas orçamentários dos EUA, à crise da dívida na zona do euro e à crescente inquietude gerada pela certeza de que cada vez há menos munições em termos de políticas públicas que compensem ou combatam um novo estancamento da economia.

Quanto ao desemprego, a OCDE explica que os sinais de redução registrados no início do ano sumiram no atual trimestre. Por isso, a instituição alerta sobre a necessidade da aplicação de “políticas estruturais de trabalho”, para impedir que o desemprego, que agora pode ser chamado de conjuntural, acabe se tornando estrutural.

O estudo da OCDE adverte que os cálculos estão sujeitos a um alto grau de incerteza, o que dá ideia do difícil momento que a economia vive. Além disso, não leva em consideração as turbulências nos mercados ocorridas a partir de julho.