Impactos da inflação farão preços controlados subir 5% no próximo ano

Veículo: Correio Braziliense Online
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As dificuldades do Banco Central de minimizar em 2012 os impactos sobre a inflação vindos do reajuste de 13,5% do salário mínimo, do aumento dos impostos sobre o cigarro e da indexação sobre a economia ficaram claros na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). A instituição indicou o tamanho dessa tarefa ao elevar a projeção dos preços administrados por contrato e monitorados pelo governo, que passou de 4,9% para 5%. O incremento, apesar de marginal, terá forte influência sobre a economia, já que os custos representam quase 30% do total do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).


“Essa elevação das projeções está ligada a crescimento econômico. É mais um sinal de que o BC espera que a economia se mantenha robusta”, afirmou Jason Vieira, economista da corretora Cruzeiro do Sul. Apesar do sinal de alerta, a ata estimou que o preço da gasolina vai desacelerar. Até julho, a autoridade monetária esperava uma elevação de 6,3% no preço do combustível. No documento de ontem, previu 4% de reajuste anual. Para o botijão de gás, outro importante item do consumo doméstico, o BC não prevê qualquer reajuste e trabalha com a manutenção da atual tarifa.

Para os custos de telefonia fixa e eletricidade, por exemplo, a estimativa de reajuste permaneceu nos mesmos níveis dos valores considerados na reunião do Copom ocorrida no mês de julho, o que significa um aumento médio de 0,9% no ano na conta de telefone e de 4,1% para a energia elétrica. Eduardo Velho, economista-chefe da Prosper Corretora, disse que os preços administrados perderam força para o controle da inflação justamente pelo peso que o Banco Central deu ao cenário externo. “O controle da inflação se dará pela contaminação do cenário externo sobre os preços livres”, explicou.

Indústria
Na visão de Flávio Combat, economista-chefe da Concórdia Corretora, além de sofrer com os efeitos da indexação, a economia vai sentir um conjunto de pressões inflacionárias que manterá os preços acima do centro da meta, tanto em 2011, quanto em 2012. Entre os fatores que vão dificultar o trabalho do BC, Combat destaca o mercado de trabalho fortemente aquecido e com baixa ociosidade de mão de obra. “Há também o aumento dos investimentos de longo prazo (Copa, Olimpíadas e programas habitacionais do governo), que pressionam ainda mais o mercado de trabalho”, observou.

“Permanece o descompasso entre a oferta e a procura pelos produtos. Com sorte, a inflação ficará um pouco abaixo do teto da meta em 2011”, calculou Élson Teles, economista-chefe da Máxima Asset Management. “Para 2012, a inflação recua, mas não tanto. Fica acima do centro da meta”, emendou. Robson Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) argumenta que essa disparidade entre oferta e demanda tende a ser minimizada na medida em que os empresários se sintam mais confiantes. A redução da Selic, na visão dele, é determinante para isso. “Cria mais otimismo na economia brasileira reduzir a taxa de juros”, afirmou.


Alívio das commodities
O Índice de Commodities Brasil (IC-Br), medido pelo Banco Central, manteve o ritmo de queda, ainda que em velocidade menor, fechando agosto 0,16% abaixo do registrado no mês anterior. Em julho, o indicador havia apontado recuo de 3,34%. No acumulado do ano, o indicador que acompanha os principais preços de produtos primários com cotação internacional desvalorizou-se 2,12%. Segundo dados do BC, o tombo do IC-Br foi puxada pelo segmento de energia, com retração de 3,07% no mês passado. Enquanto isso, o grupo de metais encolheu 2,59%. O setor agropecuário foi o contrapondo, computando alta de 1,96%. Na comparação com agosto de 2010, o IC-Br ainda acumula expressiva elevação de 18,23%, sendo que a agropecuária e a energia tiveram ganhos de 23,84% e 13,86%, respectivamente, acima da inflação de 7,23% no período medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).