Moeda brasileira é 29ª em lista de moedas mais conversíveis

Veículo: DCI
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A subsidiária britânica da Nomura Securities, uma das principais administradoras de recursos do Japão, listou a moeda brasileira, o real, apenas em 29° lugar entre as 43 moedas mais seguras para investimentos. Bem atrás de moedas como o iuane chinês, o peso chileno e o novo sol, do Peru.


"O estudo considera três aspectos: se a moeda é estável, forte e líquida, e nesse tipo de avaliação o real tem muitos problemas", avalia o professor de Economia do Instituto Fractal, Celso Grisi.

De acordo com o economista, a legislação brasileira é muito restritiva ao capital estrangeiro. "A corrente de pensamento vigente no Brasil diz que o controle de capitais permite a independência em relação ao mercado financeiro, reduz a volatilidade, melhora as condições da dívida pública e limita a exposição ao câmbio de companhias brasileiras", argumenta Celso Grisi.

Ele afirma que os investidores internacionais esperam que uma moeda segura não tenha controles e que permitam a conversibilidade plena. "O real padece de liquidez. Você não troca reais na Arábia Saudita nem em Londres", justifica o professor. Segundo o analista britânico da Nomura Securities, Peter Attard Montalto, que assina o estudo, o Brasil perdeu várias posições em razão das medidas de controle cambial adotadas pelo governo brasileiro. "Moedas consideradas porto seguro devem ser flexíveis, abertas e praticamente com total conversibilidade", diz Montalto, da Nomura.

Especialistas ouvidos pelo DCI disseram ficar surpresos positivamente pelo fato de o Brasil aparecer no ranking. "No passado, nossa moeda era 100% risco, mas já há uma mudança de postura", lembra o analista econômico da Treviso Corretora, Reginaldo Gallardo.

"Nós dizemos aos investidores internacionais que nosso câmbio é flutuante, mas o governo interfere todo dia no câmbio", argumenta Galhardo.

Na opinião dele, a comparação com os vizinhos também é justa. "O Chile e o Peru possuem problemas menores que os nossos, que são resolvidos e possuem estabilidade econômica", diz.

A opinião dele é semelhante ao do gerente de Operações de Câmbio da B&T; Corretora, Marcos Traboti. "Lá fora, exportadores e importadores não aceitam o real, nem o iuane chinês. Ninguém conhece o real e ninguém troca a moeda em lugar nenhum", disse.

Na visão de Traboti, apenas dez moedas são conversíveis internacionalmente - dólar americano, euro, libra esterlina, iene japonês, dólar canadense, franco suíço, dólar australiano, coroa sueca, coroa dinamarquesa e coroa norueguesa. "Mesmo aqui no Mercosul, os argentinos relutam em aceitar o real", argumenta Traboti.

No ranking geral divulgado pela Nomura, de acordo com os critérios estabelecidos, o dólar americano manteve a liderança por causa do tamanho do mercado e da liquidez do mercado financeiro dos Estados Unidos. Isso ocorre principalmente por causa da demanda por títulos do Tesouro norte-americano nos momentos de crise internacional.

Franco suíço

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, prevê que a medida adotada pelo Banco Nacional da Suíça nessa terça-feira para conter a valorização do franco suíço pode levar a ataques especulativos.

"Cada país tem suas necessidades. É preciso ver se a Suíça tem condições de bancar os ataques especulativos. Não sei se a Suíça tem recursos para isso", afirmou.

Ele lembrou que o banco central suíço terá de comprar toda a oferta do dia. O ministro classificou a medida como um ato de desespero. "Eles estão desesperados. Não precisamos disso no Brasil. Considero melhor o câmbio flutuante. Já tivemos câmbio fixo no passado e não fomos bem-sucedidos", afirmou.

Mantega disse ainda que é preciso esperar para verificar se a ação do banco central suíço dará resultado. "Claro que no curto prazo terá resultados, mas é preciso ver no médio prazo se resolve a situação deles. Não é um modelo que serviria para o Brasil", declarou o ministro.

O Banco Nacional da Suíça (SNB, banco central) adotou na terça-feira uma medida para se defender da valorização excessiva do franco suíço, anunciando a introdução de um piso na cotação, de 1,2 franco para cada euro.

"A atual sobrevalorização exagerada do franco suíço representa uma grave ameaça para a economia suíça e traz o risco de um desenvolvimento deflacionário", disse o banco central em um comunicado. "O SNB está, por conseguinte, buscando um enfraquecimento do franco suíço. Com efeito imediato, não vai mais tolerar um taxa de câmbio euro/franco abaixo da taxa mínima de 1,20 franco".

O SNB disse que vai impor essa taxa mínima "com a máxima determinação e está preparado para comprar moeda estrangeira em quantidades ilimitadas".

No Brasil, na terça-feira, o dólar comercial fechou em alta de 0,48%, cotado a R$ 1,658 - terceira alta após a queda da Selic.