Os dois lados

Veículo: DCI
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O aumento do preço dos alimentos - no mercado internacional, que tanto tem animado o produtor agropecuário brasileiro, também tem causado preocupações. Dependente da importação de insumos, em especial de fertilizantes, o Brasil paga pelo aumento da demanda por esses produtos, que provoca a elevação dos seus preços.

O cloreto de potássio, matéria-prima usada para fabricação de adubos, é importado principalmente da Rússia e dos Estados Unidos. Na última safra chegava até as indústrias a uma média de US$ 400 a tonelada; hoje esse valor ultrapassa com tranquilidade a casa de US$ 600.

Além do potássio, o adubo é composto de fósforo e nitrogênio, sendo que este é derivado do petróleo. A formulação mais comum é vendida hoje por R$ 990 a tonelada, alta de 28,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

O petróleo também aumentou, saiu de US$ 70 e foi para US$ 100. Como parte da matéria-prima dos fertilizantes é oriunda de petróleo, o reajuste atingiu em cheio o setor. E fez com que as empresas produtoras do mundo aumentassem os preços, automaticamente repassados ao agricultor.

Mas esse custo maior não parece ter inibido os produtores. Capitalizados graças às boas safras seguidas de preços internacionais elevados, eles foram às compras e procuram produtos de melhor qualidade. A meta é conseguir aumentar a produtividade e ter uma safra também de qualidade superior.

Assim, ao que tudo indica, vamos caminhar para um novo recorde da produção de grãos na safra 2011/2012. Isso, sem dúvida, se o clima continuar ajudando.

Com exceção de alguns sustos provocados pela estiagem de 2010 e por chuvas em período indevido (durante a colheita) este ano, a agricultura brasileira tem navegado em céu de brigadeiro. O governo também fez sua parte ao assumir sua função de fomentador do desenvolvimento da economia, ao menos a do campo, com aumento na oferta de financiamento agrícola e a criação de novas rubricas para atender setores específicos, como o sucroalcooleiro e o citricultor.

Sem dúvida, o aumento do preço dos insumos não é bem-vindo, mas faz parte de uma cadeia produtiva que, para o produtor brasileiro, pode continuar do jeito que está.