Brasileira Fanem engatinha no mercado internacional

Veículo: DCI
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Enquanto o mercado de equipamentos médicos é dominado por gigantes mundiais como GE, Siemens e Philips, uma brasileira se destaca no segmento de berços neonatais e incubadoras. Com 85% do mercado nacional, a Fanem possui também uma carteira de exportação que inclui mais de 90 países, e já deu a largada, há um ano, a um ousado processo de internacionalização. Instalou primeiro um escritório em Amã, na Jordânia, depois resolveu colocar o pé em um dos maiores mercados mundiais, a Índia: vai investir US$ 5 milhões em uma planta na cidade de Nova Délhi. "Por quê? Porque nasce um bebê por segundo naquele país", diz, sem titubear, a diretora-executiva Marlene Schmidt Rodrigues.


Neta do fundador da empresa, um alemão que viu no Brasil a necessidade de produtos voltados para a saúde, dona Marlene (como é chamada por todos na empresa) administra o legado de família junto com seu marido, Djalma Luiz Rodrigues, responsável por inovações nas linhas da empresa. Com o orgulho de quem cuida de um filho, a executiva fala que hoje 70% da receita vêm da linha neonatal. "Boa parte disso é fornecido para o governo brasileiro", diz. Em São Paulo a Fanem é responsável pelos bercinhos de cerca de 90% das maternidades.

Na Índia, como primeiro passo para operação industrial que atenderá todo o País, foi aberto um escritório, num investimento inicial de US$ 1 milhão. Em seguida virá a construção da fábrica propriamente dita, até o final deste ano e, em 2012, a unidade deve estar completa, totalizando os US$ 5 milhões.

"Escolhemos a Índia também pela similaridade com o Brasil nas necessidades de saúde, além de estar bem posicionada geograficamente em uma região que favorece a exportação para países asiáticos e o Oriente Médio, onde temos muitos negócios", explica.

Os primeiro produtos a ser fabricados por lá serão os equipamentos de fototerapia Bilitron (para crianças com icterícia); o de problemas respiratórios Babypap, e o ressucitador infantil Babypuff.

Em Amã, na Jordânia, os planos da Fanem incluem servir de base para as operações da empresa no Oriente Médio, região que responde hoje por 35% do movimento de exportações. "O escritório terá um papel importante em nossas vendas no mercado árabe", afirma dona Marlene. A Fanem conta com uma rede de 20 distribuidores que cobrem países como a Marrocos, Tunísia, Líbano, Síria, Argélia, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Kwait, Iraque, Egito e Sudão.

No Brasil, a companhia mantém uma fábrica em Guarulhos, cuja capacidade gira em torno de mil incubadoras por ano. No escritório na capital paulista, entretanto, a empresa mantém um centro de treinamento que oferece todo tipo de preparo para enfermeiras e profissionais ligado à saúde infantil. Ao todo, foram treinados 300 pessoas em 2010 e este ano, até agosto, já chegou a 2 mil profissionais. O quadro da companhia é formado por 300 funcionários no País.



Empreendedorismo

Foi na década de 1970 que a Fanem passou a exportar suas incubadoras. Com a grande meta de vender internacionalmente, a empresa trabalhou intensamente nos últimos 12 anos concentrando esforços na racionalização de processos e serviços, no incremento da qualidade e do atendimento aos usuários dos produtos no exterior. Investimentos foram realizados visando à adequação dos processos para a obtenção das principais certificações de qualidade, nacionais e internacionais, entre as quais a Certificação Comunidade Européia. Como resultado, a companhia elevou as vendas no mercado externo em 650% em seis anos.

Em 2008, a receita proveniente das exportações cresceu 20%, apesar do câmbio muito desfavorável. Apoiada na inovação, a empresa conquistou novos mercados e hoje tem seus produtos comercializados em até 90 países, incluindo a Europa, terra natal de muitos gigantes mundiais na área de equipamentos médicos.

Seus produtos já estão sendo avaliados agora pela rígida agência de saúde norte-americana, o FDA, e aguardam a aprovação para que os produtos também entrem na terra do "Tio Sam".

"Na Europa, é mais difícil e mesmo assim vendemos para Áustria, Ucrânia e Rússia, um de nossos maiores clientes hoje", afirma Marlene.

Na Jordânia, montou além do escritório, um depósito com peças e assistência técnica aos produtos. "Nosso esforço foi tão grande que ganhamos o prêmio Apex [agência de estímulo à exportação] de abertura de novos mercados", completa orgulhosa, acrescentando que o processo oferece garantia à empresa quando o mercado local não está bom.