Fabricantes acreditam mais em demanda da classe média

Veículo: DCI
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Apesar de bem recebidas, as medidas incluídas pelo governo no plano "Brasil Maior" foram vistas de forma cética pelo setor moveleiro, que segue apostando no crescimento do poder aquisitivo da classe média e na ampliação da construção civil, principalmente em projetos como o "Minha Casa, Minha Vida".

Segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), José Luiz Diaz Fernandez, as negociações para definição da desoneração da folha de pagamento foram muito rápidas. "Aderimos em um primeiro momento, mas depois percebemos que 1,5% a ser pago sobre faturamento na troca pelos 20% de isenção do INSS é muito alto para representar alguma vantagem para o setor. Contudo, conseguimos algumas medidas em relação à defesa comercial", afirmou Diaz Fernandez.

Segundo ele, outras medidas como a aceleração das obras do programa "Minha Casa Minha Vida" estão sendo pleiteadas junto ao governo federal, através da frente parlamentar do setor. De acordo com o presidente da Associação das Indústrias Moveleiras do Estado do Rio Grande do Sul, Ivo Cansan (principal polo industrial de móveis do País), o setor foi lembrado porque precisa de medidas que auxiliem as empresas a concorrer no mercado internacional. "Mas na prática, o que foi anunciado pouco vai ajudar."

Mesmo com o olhar crítico, o setor moveleiro não perde o otimismo e espera atingir um crescimento de 12% ainda este ano. A aposta maior está na ampliação do portfólio, com a fabricação de móveis planejados, sobretudo para atender à crescente demanda da classe média.

Com uma fábrica na região do Vale dos Vinhedos (RS), a Ditália espera crescer 20% este ano e faturar R$ 130 milhões. A empresa acaba de lançar uma linha de móveis planejados voltados para a classe média (C e B). Com a marca UP Design Inteligente a companhia espera atingir R$ 25 milhões de faturamento até dezembro de 2012, conforme o diretor-presidente, Noemir Capoani. "Serão abertos de 20 a 30 pontos de venda da marca, no Brasil, ainda este ano. Além disso, realizaremos parcerias com lojas multimarcas", disse Capoani.

"No mercado interno, o Estado de São Paulo é o mais forte para o setor, sendo responsável por 25% do faturamento da companhia", afirma Capoani. As exportações, responsáveis por 25% do faturamento da companhia, são realizadas para mais de 40 países. Mas esse volume já foi superior há cerca de três anos, quando atingia 40% das vendas. "A crise internacional, aliada as barreiras comerciais praticadas pela Argentina, um dos principais compradores, causaram essa queda.

Pertencente ao grupo Todeschini, a Carraro teve um desempenho acima da média no último ano, principalmente no primeiro semestre, devido à redução do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI), e espera atingir um crescimento entre 5% a 10% sobre os R$ 230 milhões de faturamento de 2010, conforme o diretor Comercial, Rogério Frâncio. Segundo o executivo, a Carraro fabrica móveis prontos com um preço mais acessível em duas plantas na cidade de Bento Gonçalves (RS). Além disso, produz os planejados que são comercializados em suas 180 lojas próprias com a marca Criare. "É vantajoso que quem fabrica planejados tenha lojas próprias, por isso vamos inaugurar mais 30 delas até o fim de 2011."

A Carraro exporta para o Mercosul, América Central, África e Ásia num total de 17 países. As vendas para o exterior representam atualmente 10% do faturamento o que justifica as atenções voltadas ao mercado nacional.

"Nos concentramos no público da classe C, mas com o atual acesso ao crédito e a elevação do poder aquisitivo dos consumidores ampliamos nossos investimentos, aplicando US$ 10 milhões em maquinário", diz.

Pertence ao do Grupo Elgin, a Elgin Cuisine analisa bem as oportunidades para aproveitar capacidades de suas fábricas. A empresa possui três plantas, duas em Mogi das Cruzes e uma em Manaus, com mais de 1,2 mil funcionários. Com produtos voltados para os consumidores das classes A e B - incluindo móveis para cozinha, banheiro, área de serviço e armários -, a Elgin possui 10 lojas de venda direta ao consumidor, e este ano projeta um crescimento de 15% se comparado ao faturamento de R$ 40 milhões de 2010. "Vendemos não apenas o produto, mas o serviço. E temos um planejamento para abertura de franquias, com venda exclusiva da marca, onde os interessados já conhecem a particularidade da região", acrescenta o diretor-financeiro da Elgin Cuisine, Alberto Chulam.

Para o executivo, grande parte do desempenho de 2011 se deve às vendas para obras que se iniciaram há dois anos.