Grupo que aplica em ações de mercados como do Brasil encolhe 25% desde 2007

Veículo: Correio Braziliense
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Hong Kong e Tóquio. Fundos que apostam apenas em ações dos mercados em rápida expansão de Brasil, Rússia, Índia e China, grupo chamado de Bric, estão sofrendo retiradas constantes de investidores por causa de retornos baixos, o que tem lançado dúvidas sobre o futuro de uma das mais rentáveis classes de ativos dos últimos tempos. Em comparação a 2007, quando atingiram o auge, esses fundos encolheram 25% e perderam cerca de US$ 10 bilhões em aplicações.

O termo Bric foi cunhado pelo economista Jim O’Neill, do Goldman Sachs, em 2001, e o investimento nos mercados acionários dos quatro países decolou na última metade da última década. Gestores de fundos como Templeton, Schroders e DWS, do Deutsche Bank, lançaram produtos de sucesso. Os ativos dos fundos Bric cresceram 1.600 vezes entre 2003 e 2007, chegando a US$ 38 bilhões, enquanto as ações das economias do grupo produziram um retorno de quase 600 por cento. A onda, porém, virou.

Os fundos Bric coletivamente têm visto retiradas de recursos em todos os meses desde março de 2010, segundo dados da Thomson Reuters Lipper. Os ativos combinados encolheram em 25% para pouco mais de US$ 28 bilhões, ante o nível recorde de 2007. As saídas líquidas acumuladas de recursos de tais fundos desde março de 2010 subiram para US$ 9,5 bilhões.

Preferência
Em comparação, fundos que investem na região Ásia-Pacífico, excluindo o Japão, receberam ingressos de cerca de US$ 4 bilhões no mesmo período, refletindo a preferência dos investidores por uma área mais ampla de aplicações para redução de riscos. Enquanto isso, outros produtos como fundos mútuos atrelados ao ouro e metais preciosos atraíram no período US$ 4,5 bilhões.

A perda de brilho dos fundos Bric foi disparada por quedas de performance, políticas de aperto fiscal, controles de capital no Brasil e mudança da preferência dos investidores em direção à segurança. “Estes tipos de fundos foram uma tendência no lançamento, continuaram tendência por um tempo e então o apetite dos investidores caiu”, disse François Mouzay, diretor de desenvolvimento de fundos e serviços para Ásia-Pacífico do BNP Paribas Investment Partners. “Fundos Bric são um conceito antigo. Investidores querem coisas novas, especialmente aqui na região”, concluiu.


RECESSÃO NA PORTA
Os bancos americanos JPMorgan Chase e Wells Fargo reduziram as previsões para o crescimento da economia dos Estados Unidos em 2011 e 2012, sinalizando que a possibilidade de uma recessão é cada vez maior. Segundo o JPMorgan Chase, o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA aumentará 1% no quarto trimestre de 2011, contra uma previsão anterior de 2,5%. Para o primeiro trimestre de 2012, o banco projeta alta de 0,5% e não mais de 1,5%. “A confiança dos consumidores entrou em colapso e o poder aquisitivo das famílias se deteriorou”, anunciou a instituição, afirmando ainda que o risco de recessão mantém-se “claramente elevado”. O Wells Fargo fez mudanças menos drásticas nas suas previsões. Os analistas do banco de San Francisco estimam agora que o PIB dos EUA crescerá 1,6% em 2011 e 1,1% em 2012. As previsões anteriores eram de 1,7% e 1,9%, respectivamente.