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Clima frio atrasa colheita de algodão

Veículo: Valor Econômico
Seção: Agronegócios
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Clima frio atrasa colheita de algodão


O clima frio está postergando a maturação das maçãs do algodão e, por consequência, atrasando a colheita da pluma no país. De acordo com números da Associação Brasileira de Algodão (Abrapa), até agora apenas 15% da área brasileira de algodão (estimada pela Conab em 1,391 milhão de hectares) foi colhida. O percentual costuma ser de 25% nessa época do ano. Mesmo com o atraso na colheita de algodão, os preços continuam caindo, pressionados por uma fraca demanda interna.

Em geral, a largada da colheita é feita no fim do mês de maio em algumas regiões de Mato Grosso. De lá, estende-se a outros Estados, como Mato Grosso do Sul e Goiás, até chegar à Bahia. Neste momento, diz Sérgio de Marco, presidente da Abrapa, as máquinas já estão colhendo a pluma em todos as regiões produtoras com rendimentos altos, sobretudo na Bahia e em Goiás.

A exceção é o Mato Grosso, que deve ter uma perda de 8% a 10% nesta temporada, segundo ele. Isso porque faltou chuva na segunda quinzena de abril e em boa parte de maio nas áreas cultivadas com algodão safrinha, que representa metade do cultivo nesse Estado, maior produtor nacional da pluma. "As áreas goianas e baianas estão rendendo algodão com 240 a 250 arrobas por hectare. Na média de Mato Grosso, esse desempenho será menor", diz de Marco.

Por conta dessas adversidades, a produção brasileira, antes estimada em 2 milhões de toneladas pela Abrapa, pode cair para 1,9 milhão, segundo ele.

Apesar disso, ele não vê chances de reação para cima dos preços, que vêm caindo no mercado interno a ritmo "inesperado". "Não contávamos com queda tão acentuada", diz de Marco. Isso porque, afirma o presidente da Abrapa, o pico da colheita ainda não chegou. "O que ocorre é que o mercado interno está retraído, à espera de preços mais baixos", avalia.

As cotações domésticas vêm caindo com força e superam a correção ocorrida na bolsa de Nova York. Desde o começo do ano, a queda acumulada das cotações na bolsa americana é de 13,56%, segundo cálculos do Valor Data. No mercado interno, esse declínio é de 36,72%, segundo dados do Cepea/Esalq calculados pelo Valor Data.

A retração começou a se acentuar no Brasil a partir do fim de abril deste ano. Segundo o Cepea/Esalq, a pluma saiu de R$ 3,0218 por libra-peso naquele momento e atingiu ontem R$ 1,8469, queda acumulada de 38%. No mesmo intervalo, o recuo das cotações na bolsa de Nova York atingiu 28,9%.

A retração mais expressiva no Brasil é explicada em parte pelo forte encolhimento do consumo de algodão pela indústria têxtil que chegou a pagar neste ano R$ 4 a libra-peso, o dobro dos preços atuais. Algumas fábricas concederam até férias coletivas.

Nos primeiros quatro meses do ano, a produção dessa indústria caiu 11,61%, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit). Mas o vice-presidente da entidade, Ivan Bezerra Filho, acredita que no acumulado do primeiro semestre a redução deve ter sido de 30% na comparação com igual intervalo de 2010.

Ele diz, no entanto, que é preciso esperar para ver como será o inverno para cravar uma previsão para todo o ano. Avalia, porém, que o setor não conseguirá manter em 2011 o robusto consumo de 1,065 milhão de toneladas da fibra previstos inicialmente. "Talvez, em vez de recuar 25% para 800 mil toneladas, esse consumo de algodão fique apenas 10% ou 15% menor".



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