Freio nos investimentos garante superávit

Veículo: O Globo
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Freio nos investimentos garante superávit

Uma forte desaceleração dos investimentos permitiu que o governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) registrasse o segundo melhor superávit primário da História para o período de janeiro a maio. Segundo dados divulgados ontem pelo Ministério da Fazenda, a economia de recursos para o pagamento de juros da dívida pública pela União ficou em R$45,5 bilhões nos cinco primeiros meses do ano, perdendo apenas para 2008, quando chegou a R$53 bilhões.

Considerando apenas o mês de maio, o primário despencou 73,7% em relação a abril e fechou o período em R$4,1 bilhões.

O secretário do Tesouro, Arno Augustin, comemorou o resultado do acumulado no ano e destacou que equivale a um crescimento de 88% em relação ao ano passado. O montante também está acima da meta de primário que foi fixada pela equipe econômica para o período janeiro-agosto, de R$40 bilhões.

— Foi um resultado positivo e muito importante — disse.

Ele afirmou que o freio nos investimentos se deve à base de comparação inflada do ano passado, quando o governo fez uma série de transferências e convênios no primeiro semestre. Segundo Augustin, os investimentos vão voltar a subir no segundo semestre e fecharão 2011 com crescimento acima da expansão do Produto Interno Bruto (PIB).

Apenas em janeiro, essas despesas cresceram 85%. No primeiro bimestre do ano, esse ritmo desacelerou para 25%, passando para 9% até março, 5% até abril e apenas 1% até maio. O total acumulado em 2011 com esses desembolsos chega a R$16,9 bilhões.

Para o economista da consultoria Tendências Felipe Salto, o governo está adotando a estratégia errada para conseguir cumprir suas metas fiscais. Ele afirmou que ao mesmo tempo em que contém investimentos — despesas importantes para o crescimento da economia — a equipe econômica não está trabalhando em regras que limitem gastos com pessoal e custeio.

— O esforço fiscal de 2011 vai acontecer, mas não há estratégia para o médio e o longo prazos. As despesas com benefícios da Previdência, por exemplo, foram empurradas com a barriga este ano, mas terão impacto no ano que vem por causa do aumento do salário mínimo — disse Salto. — A meta fiscal não será integralmente cumprida em 2012.

Em maio, houve uma redução tanto nas receitas quanto nas despesas. Enquanto a arrecadação apresentou queda de 21% em relação a abril, os gastos do governo encolheram 7% na mesma comparação. Segundo Augustin, esse é um comportamento sazonal devido ao fluxo das receitas, que crescem muito em abril e caem em maio.