Mercosul inicia discussões para agregar valor comercial

Veículo: DCI
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Mercosul inicia discussões para agregar valor comercial

Os ministros da Indústria dos países sócios se reuniram ontem e deram início à 41ª Cúpula do Mercosul, em Assunção, Paraguai. A reunião passa a ser parte da nova dinâmica da agenda de cúpulas e tem o objetivo de tornar-se o âmbito específico para debater temas estratégicos do setor produtivo, encontrar soluções que equilibrem assimetrias no bloco e pensar em estratégias conjuntas contra a concorrência desleal vinda de fora do Mercosul, como definiu a ministra argentina, Débora Giorgi. Além dela, vão participar os ministros Fernando Pimentel (Brasil), Francisco José Rivas Almada (Paraguai) e Roberto Kreimerman (Uruguai).

Durante a reunião, o Conselho do Mercado Comum (CMC), órgão supremo do Mercosul, decidiu empreender medidas de aprofundamento de coordenação macroeconômica do bloco regional. O conselho, formado por ministros de Relações Exteriores e de Economia dos países sócios, criou grupos permanentes de trabalho nas áreas fiscal, monetária e financeira, balanço de pagamentos, diálogo macroeconômico e divulgação para harmonizar as estatísticas entre os países, segundo documento divulgado em Assunção.

Na tentativa de encaminhar soluções para um dos maiores problemas no comércio entre Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai - as chamadas assimetrias -, os ministros decidiram criar um grupo de trabalho específico para avançar em projetos que possam compensar as diferenças entre os países.

O grupo terá a tarefa de identificar os pontos de desigualdades entre os sócios e gerar uma instância para o planejamento estratégico do Mercosul.

Além disso, o Mercosul quer atrair a associação plena da Bolívia e do Equador, afirmou o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota. "O alto-representante do Mercosul, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, vai começar com reuniões exploratórias com a Bolívia, depois com o Equador", disse Patriota, em entrevista à imprensa em Assunção.

Foi aprovada ainda uma decisão na qual estabelece "a liberdade para o tráfego no trânsito que tenha origem ou destino a um Estado parte do Mercosul". Embora esta disciplina já exista, o CMC amplia a liberdade para as mercadorias e os meios de transportes terrestres e fluviais dos países.

O governo do presidente Fernando Lugo, por sua vez, conseguiu a aprovação da obra de construção da rodovia Ñu Guazú, que liga as cidades de Assunção e Luque, no Paraguai. O Mercosul vai contar com um observatório do comércio regional para desenvolver uma estratégia de defesa comercial conjunta e detectar onde seus mercados estão perdendo para importações de outros países. A secretária de Comércio Exterior do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), Tatiana Prazeres, disse que "há uma preocupação conjunta" com o crescimento das importações, o que exige "um olhar atento para detectar quais setores específicos estão perdendo mercado em cada um dos países [do bloco]".

Sem entrar em detalhes, ela afirmou que o Brasil "já fez o seu dever de casa", ao levantar as informações sobre os setores mais prejudicados pelas importações de produtos de países de fora do Mercosul e também da perda de participação no mercado argentino, seu principal sócio no Mercosul, em função das barreiras ao comércio. Nesse sentido, segundo ela, os países sócios precisam ter uma estratégia comercial. "Não podemos perder a oportunidade de crescimento da região para alavancar a indústria e favorecer o desenvolvimento regional", afirmou Prazeres.

 

UE

Na ausência de avanços nas negociações entre o Mercosul e a União Europeia, com vistas à criação de uma área de livre comércio entre os dois blocos, o CMC fez o lançamento do projeto Mercosul-Econormas, "para contribuir com o desenvolvimento do bloco regional do Cone Sul e promover as práticas de produção e consumo sustentáveis, o fortalecimento da proteção ambiental e da saúde, o incremento do comércio através da convergência de regulamentações técnicas e procedimentos de avaliação, tomando como referência as disciplinas da OMC".

Este será o primeiro encontro entre Pimentel e Giorgi após os embates dos últimos meses sobre as barreiras mútuas ao comércio, iniciadas pela Argentina e revidadas pelo Brasil. Para superar as restrições, Giorgi defendeu que os sócios precisam "avançar em um Mercosul industrial como plataforma para substituir importações e somar exportações, articular medidas de defesa comercial diante do sudeste asiático e aprofundar a integração produtiva regional".



A ministra argentina ressaltou que o comércio entre os países do bloco somou US$ 16,761 bilhões entre janeiro e maio, 28% acima dos US$ 13,063 bilhões verificados em igual período de 2010. A Argentina teve déficit de US$ 1,744 bilhão com o Brasil, mas conseguiu obter superávit com os dois sócios menores: US$ 344 milhões com o Paraguai e US$ 524 milhões com o Uruguai.