Brasil terá medidas contra a Argentina

Veículo: DCI
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Frente às constantes imposições argentinas contra os produtos brasileiros, o Ministério do Desenvolvimento (Mdic) por meio do seu ministro, Fernando Pimentel, espera resposta ao comunicado enviado pelo Brasil para tomar uma posição e, pela primeira vez, contrarretaliar o setor exportador do país vizinho.

De acordo com fontes ligadas ao ministro, está prestes a acontecer uma guerra comercial entre os principais parceiros do Mercosul. "O Brasil vai responder, pela primeira vez, à altura. A imposição de dificuldades para o ingresso de produtos argentinos no mercado brasileiro, a suspensão de negociações sobre investimentos no país vizinho e até um recurso à Organização Mundial do Comércio [OMC] são medidas que estão sobre a mesa e podem ser adotadas", relatou a fonte.

Na última terça-feira, o prazo de 60 dias para liberação das licenças não automáticas acabou e o governo argentino manteve mais de 200 produtos impedidos de entrarem no país. "Acabou a conversa. Agora vamos agir", resumiu uma fonte do primeiro escalão do governo brasileiro.

Documento com denúncia feito pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e encaminhado aos Ministérios de Desenvolvimento e de Relações Exteriores aponta que entre março e abril, o setor de chocolates, amendoins e balas perdeu US$ 5,2 milhões. Já o setor de massas e biscoitos deixou de vender US$ 800 mil ao mercado argentino. Os produtos estão armazenados em depósitos do governo argentino e de importadores, sem permissão para comercialização no país.

Outra luta do Brasil é para tentar diminuir o forte fluxo de dólares que entra no País. Segundo o Banco Central, o fluxo cambial está positivo, em maio, US$ 3,5 bilhões até o último dia 5. No acumulado deste ano até a primeira semana de maio, o fluxo já supera os US$ 40 bilhões, quase cinco vezes mais que os US$ 8,7 bilhões do mesmo período de 2010.

Um dos instrumentos usados para diminuir o impacto desta enxurrada de moeda americana é o swap cambial reverso, que consiste em um contrato pelo qual o Banco Central fica credor em dólares e devedor em Selic. O BC acumula lucro de R$ 532 milhões com esta operação em maio. No acumulado deste ano, porém, a autoridade monetária tem uma desvantagem de R$ 979 milhões para as instituições financeiras que fecham estes contratos.