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Produção industrial de março bate recorde

Veículo: O Globo
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Produção industrial de março bate recorde

A produção industrial brasileira cresceu um pouco mais que o esperado em março e os dados dos dois meses anteriores foram revistos para cima, completando um trimestre inteiro de resultados positivos e levando a atividade a um patamar recorde. A alta foi de 0,5% em março sobre fevereiro, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Com esses resultados, o patamar de produção de março de 2011 alcançou o ponto mais elevado desde o início da série histórica, em 1991”, destacou o órgão em uma nota.

Em relação a março do ano passado, no entanto, houve a primeira queda desde outubro de 2009, de 2,1%, devido, em parte, a um menor número de dias úteis. Economistas consultados pela Reuters esperavam expansão de 0,2% no mês e recuo anual de 2,5%.

Os dados de fevereiro e janeiro na comparação com os meses anteriores foram revistos para, respectivamente, 2% e 0,3%, ante leituras preliminares de 1,9% e 0,2%. No primeiro trimestre, a indústria brasileira acumulou crescimento de 2,3%.

O economista do IBGE André Macedo destacou que, mesmo com as medidas do governo para conter o fôlego da economia, a indústria alcançou o maior patamar de produção desde o início da série história do instituto. O recorde anterior era março de 2010.

— Há um incremento no cenário produtivo em 2011. Apesar das medidas do governo, ainda não conseguimos observar efeitos sobre o ritmo das atividades — disse. — Há alguns fatores, como a demanda das famílias, a manutenção do crédito e das boas condições do mercado de trabalho. Também há um menor ritmo das importações, como metalurgia básica, e isso rebate na indústria. Há uma combinação de mais investimentos e apostas no país. 


Queda no ano é explicada por fim de incentivos fiscais

 Em relação à queda em relação ao ano anterior, Macedo explicou que há dois movimentos por trás disso: o carnaval, que em 2011 caiu em março, e a base de comparação — março de 2010 foi um mês forte porque a indústria usufruía de incentivos fiscais do governo para enfrentar a crise global.

Em relação a fevereiro, foi observado aumento em 13 dos 27 setores pesquisados, com destaque para material eletrônico e aparelhos de comunicações (10,1%) e máquinas e equipamentos (1,8%).

Entre as categorias de uso, bens de consumo duráveis e de capital tiveram os maiores crescimentos, de 4,1% e 3,4%, respectivamente, seguidos por bens de consumo semi e não duráveis (1%). Já a produção de bens intermediários caiu 0,2%.

Na comparação com março de 2010, que teve dois dias úteis a mais que o mesmo mês este ano, houve queda em 17 dos 27 setores, sendo as maiores em produtos químicos (-8,6%) e edição e impressão (-12,9%).

Todas as categorias de uso tiveram retração, sendo as maiores as de bens de consumo duráveis (-5,2%) e de bens de consumo semi e não duráveis (-3,7%), seguidas por bens intermediários (-0,4%) e bens de capital (-0,1%).



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