Aumenta interesse dos países do G-7 em investir no Brasil

Veículo: DCI
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Aumenta interesse dos países do G-7 em investir no Brasil


Mercado financeiro mundial aponta o Brasil como polo de investimentos. "Neste momento de recuperação global do pós-crise econômica, da qual fomos um dos primeiros países a se reerguer, e com uma economia positiva e equilibrada frente a outras nações atrelado aos eventos esportivos que acontecerão no País nos próximos anos, podemos dizer que somos a bola da vez", afirma Ronaldo Amaral, analista de negócios internacionais.

"Temos cantado essa bola a pelo menos 18 meses, antecipando todos para a cara do gol, fizemos o papel de volantes para a economia mundial", acrescenta Adriano Gomes, professor da ESPM.

O interesse das nações que compõem o G-7 (Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Itália e Japão ) grupo formado pelas sete maiores economias do mundo, que juntos representam 35% do Produto Interno Bruto (PIB) global, têm demonstrado a intenção em elevar as exportações, estimular associações com empresas brasileiras e investir no Brasil. De acordo com o relatório do Setor Externo do Banco Central brasileiro, entre janeiro e março deste ano, as sete economias desenvolvidas investiram no País o montante de US$ 3,593 bilhões, o que representa 25,05% do total investido por todas as nações no período (US$ 14,339 bilhões).

Frente ao montante somado pelos países no mesmo período do ano passado (US$ 2,197 bilhões) houve uma alta de 63,54%.

Individualmente, o parceiro comercial com maior participação no ingresso de investimentos estrangeiros diretos (IED), no primeiro trimestre deste ano, é os Estados Unidos com ingressos de US$ 1,929 bilhão, quase dois terços do total vindo do G-7.

O valor representa crescimento de 51,18% frente ao mesmo período de 2010, quando investiu US$ 1,276 bilhão no País. Na mesma comparação temporal, as participações seguiram pelo Reino Unido (US$ 504 milhões, alta de 102,41%), Canadá (US$ 422 milhões, alta de 486,11%), França (US$ 17 milhões, queda de 30,1%), Alemanha (US$ 237 milhões, alta de 393,75%), Japão (US$ 162 milhões, alta de 58,82%) e Itália (US$ 65 milhões, alta de 10,17%).

"Esse boom em um ano, apresentou-se pelas condições de origem desses países, que vão demorar muito ainda para voltar a serem rentáveis. Os balanços mostram que existem problemas graves nas contas públicas da maioria do G-7", frisa Gomes.


"Fora os investimentos maciços que ocorrerão em virtude dos eventos esportivos, não podemos nos esquecer das necessidades iminentes que sofremos todos os dias como no setor logístico, principalmente com a pressão da inflação atual. Essa força não pode ser combatida com as armas internacionais da política econômica, precisa-se de mais serviços e produtos para dar vazão a onda de consumo das classes econômicas", explica Gomes.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o governo vem controlando o excesso de capitais especulativos no Brasil, que termina desvalorizando o dólar pelo excesso de oferta da moeda norte-americana no mercado.

"O Brasil passou a ser um país privilegiado, com US$ 69 bilhões em investimentos estrangeiros diretos previstos em 2011. Parte desse capital é bem-vindo, porque não tem especulação", disse.

Caso este número esteja correto, a participação dos ingressos de IED no Brasil será de 6,1% neste ano. No ano passado o valor atraído pelo Brasil foi de 4,32%. Em 2006, a participação brasileira era de apenas 1,3%.

"A tendência é de os investimentos sejam crescentes e contínuos, esta é uma visão realista com base em dados econômicos. Passada a instabilidade inflacionária teremos essa mecânica muito forte. Vamos ultrapassar a meta do governo, atingiremos entre US$ 70 bilhões e US$ 72 bilhões em 2011, sendo o movimento maior no segundo semestre", pondera Gomes.