Dilma: "combate acirrado à inflação"

Veículo: O Globo
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Dilma: "combate acirrado à inflação"

A presidente Dilma Rousseff disse ontem que tem “imensa preocupação com a inflação” e prometeu “combate acirrado” à alta de preços no país. O comentário, feito numa breve entrevista após Dilma tomar vacina contra a gripe, dá o tom que será adotado pela presidente hoje ao discursar durante a primeira reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, de seu governo.

Ontem, pela sétima semana consecutiva, o mercado elevou sua projeção para a inflação deste ano, pelo Boletim Focus. A estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu para 6,34%, praticamente encostando no teto de 6,5% para a meta oficial. A projeção não reflete ainda a alta de 0,25 ponto percentual na Taxa Selic, decidida na quarta-feira passada pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Para o próximo ano, os analistas mantiveram a projeção de 5%.

Segundo assessores, Dilma fará hoje uma ampla defesa da atual política econômica e destacará que sua gestão está comprometida não apenas com medidas para combater problemas conjunturais — como a disparada da inflação e o derretimento do dólar — mas também com a manutenção de um patamar razoável de crescimento.

— Nós temos imensa preocupação com a inflação. Não haverá hipótese alguma de que o governo se desmobilize diante dela. Todas as nossas atenções vão estar voltadas para um combate acirrado à inflação — disse a presidente ontem, sem adiantar que tipo de medidas podem vir a ser adotadas.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, com o qual Dilma discutiu o Conselhão ontem, também falará durante a reunião. Caberá a ele apresentar dados que mostrem a eficiência da atual política econômica. E também destacar que problemas como a alta de produtos como o etanol — que pesam hoje sobre a inflação — são vistos como conjunturais, em razão de fatores climáticos e da entressafra.

— Você tem um cenário de inflação corrente bastante complicado e o Banco Central dá sinais de ser propenso ao risco, ao fazer ajustes suaves (nos juros) ainda com uma demanda aquecida. Isso reforça a expectativa do mercado que o IPCA não ficará dentro (do centro) da meta também em 2012 — disse a economista Alexandra Ribeiro, da Tendências Consultoria.

A Tendências já trabalha com projeção de 5,2% para o IPCA de 2012 e de 6,6% neste ano, portanto rompendo o teto.

O mercado manteve a estimativa para crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 4% para este ano. Para 2012, a projeção caiu de 4,25% para 4,21%.

Nos bastidores, os técnicos do governo admitem que a alta dos preços está durando mais do que se esperava. Mas ainda apostam que o governo tem condições de fazer com que a inflação mensal fique em torno de 0,37% a partir de maio. Esse percentual garante um índice de 4,5% (centro da meta fixada para o ano) em 12 meses (no fim de abril de 2012).

— Se os índices chegarem a 0,37%, a inflação já estará caminhando no sentido correto — disse um técnico.

A equipe econômica também já acha difícil que a economia cresça acima de 4% este ano.