Brasil quer proteger Mercosul da China

Veículo: DCI
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Brasil quer proteger Mercosul da China

O comércio entre o Brasil e os demais países que compõem o Mercosul (Argentina, Uruguai e Paraguai) permanece superavitário para os empresários brasileiros em US$ 1.655 bilhão neste primeiro trimestre de 2011. Contudo, autoridades políticas, associações de classe e empresários afirmam que é necessária uma postura mais firme da presidente Dilma Rousseff para que a entrada de produtos chineses no Mercosul não abale as relações comerciais na região.

De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Antônio de Aguiar Patriota, trabalhar pela integração sul-americana é prioridade da política externa brasileira. "A prioridade brasileira em favor dos vizinhos está ancorada em interesses concretos: a estabilidade política, o desenvolvimento social e a prosperidade de nossos vizinhos são fundamentais para o Brasil", explica.

O ministro explicou ainda que, no plano comercial, as exportações para essa região, no âmbito do Mercosul e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), são responsáveis por 61% do superávit comercial do País.

A secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), Tatiana Lacerda Prazeres, analisou o intercâmbio comercial brasileiro com os países-membros do Mercosul e destacou que as vendas brasileiras ao bloco econômico se concentram em produtos manufaturados, categoria que representou 91% das exportações a estes países em 2010. "Há um fluxo crescente na relação comercial com o Mercosul que muitas vezes vem puxando as exportações brasileiras para o mundo e que contribui para o superávit que o Brasil acumula na balança comercial."

Se, por um lado, a China preocupa, por outro, o Brasil melhora suas relações com a nova potência. O governo chinês habilitou os frigoríficos Cotrijuí, do Rio Grande do Sul, grande surpresa da lista, e Aurora, de Santa Catarina, e também Brasil Foods, de Goiás, para exportar carne suína. Essas plantas devem exportar em um primeiro momento 50 mil toneladas ao país asiático, e faturar aproximadamente US$ 120 milhões este ano com a transação. Até o final deste ano, mais 23 plantas devem ser licenciadas a exportar 200 mil toneladas.