Aversão ao risco derruba Bovespa e dólar volta a subir

Veículo: Estadão
Seção: Economia e Negócios
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Aversão ao risco derruba Bovespa e dólar volta a subir

Uma onda de aversão ao risco se espalhou pelo mundo ontem, derrubando ações e commodities, um retrato do nervosismo dos investidores após a elevação do acidente nuclear japonês ao grau máximo da escala internacional. O receio de que uma recuperação mais lenta no Japão possa prejudicar a economia mundial deprimiu o preço das matérias-primas. O petróleo despencou quase 3,5% em Nova York, para US$ 106,25, pressionado por previsões de que os preços elevados da commodity devem prejudicar a demanda. Também repercutiu negativamente um relatório do banco Goldman Sachs pondo fim à recomendação de compra de petróleo bruto, algodão e cobre.

Ações de empresas ligadas às commodities foram alvo de vendas pesadas. Aqui, Petrobrás PN desabou 3,06% e a ON afundou 3,55%, enquanto Vale ON caiu 2,02% e a PNA, 1,90%, arrastando a Bolsa de volta ao nível dos 66 mil pontos. O Ibovespa amargou baixa de 1,86%, com apenas quatro ações no azul. Nos EUA, o início fraco da temporada de balanços do primeiro trimestre ajudou a deixar o mercado ainda mais na defensiva. O índice Dow Jones cedeu 0,95% e o S&P 500 declinou 0,78%.

O dólar voltou a subir pelo segundo dia consecutivo, atingindo R$ 1,593 (+0,70%). O fluxo negativo, decorrente do pessimismo externo, e o reposicionamento dos agentes financeiros no mercado de cupom cambial puxaram o dólar para cima.

Nos juros, a queda de 0,4% nas vendas do varejo no País em fevereiro e o nervosismo lá fora determinaram a baixa das taxas futuras. Mas o placar segue dividido em relação à magnitude do ajuste de alta do juro na reunião do Copom da próxima semana.