Brasil tenta melhorar parceria comercial com Alemanha

Veículo: DCI
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Brasil tenta melhorar parceria comercial com Alemanha

 

Exemplo disso é que a partir de hoje até a próxima semana, empresários brasileiros e alemães se reúnem no 1º Laboratório de Aprendizagem em Inovação Brasil-Alemanha 2011, promovido pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic).

O objetivo do evento é tentar identificar e desenvolver parcerias e negócios bilaterais entre os países e áreas estratégicas como petróleo e gás, imãs de terras-raras, próteses ortopédicas, tecnologias para grandes eventos, como a Copa do Mundo e Olimpíadas a serem realizadas no País, além de energias limpas. São esperadas reuniões com cerca de 100 pessoas entre empresários, agentes de governo e pesquisadores. De acordo com dados do Mdic, a Alemanha é uma das principais parceiras no comércio com o Brasil. Em 2010, o país europeu era o quinto maior destino das exportações brasileiras. Dados mais recentes mostram ainda que na comparação das vendas brasileiras acumuladas de janeiro a fevereiro de 2010 para o mesmo período deste ano, a posição passou da quinta para sexta colocação. No caso das importações daquele país, elas somadas ocupam a quarta posição na balança comercial brasileira, a mesma que se encontra no período de janeiro a fevereiro de 2011.

No entanto, o Brasil não possui uma boa participação na balança comercial da Alemanha. O País não está entre os dez principais destinos das exportações alemãs, nem nos principais países que vendem para a nação europeia.

Outro ponto negativo da relação comercial Brasil-Alemanha é que os produtos mais comercializados são os básicos, como café, com uma participação de 52,1% no total das vendas brasileiras ao país europeu. Paralelo a isso, no começo deste ano, a Alemanha passou a comprar menos do Brasil. Em janeiro a fevereiro deste ano, as exportações brasileiras desses produtos movimentaram US$ 476 milhões, queda se comparar ao valor de US$ 654 milhões registrados no mesmo período de 2010. Da mesma forma, houve retração na movimentação das vendas de produtos básicos do Brasil, ao passar de US$ 505 milhões para US$ 478 milhões.

Já com relação à participação de produtos manufaturados nas importações brasileiras, houve um salto dentro do período analisado, ao passar de 91,5% para 95,7%. Assim, as movimentações passaram de US$ 1,485 bilhão para US$ 1,883 bilhão.

Para melhorar esta relação, Ingo Plöger, diretor da Câmara Brasil-Alemanha, afirma que o Brasil deve aproveitar o bom momento em que está vivendo dentro do mercado internacional e ampliar seu comércio com o país europeu. "Até porque o saldo da balança comercial com a Alemanha está negativo", alerta. Segundo os dados do Mdic, o saldo até fevereiro está negativo em US$ 713 milhões, maior do que déficit de US$ 600 milhões registrado no primeiro bimestre de 2010.

Para Ingo Plöger, o Brasil precisa intensificar a cooperação tecnológica com a Alemanha. "Porém, é necessário pressionar toda a União Europeia [UE] para que diminua as restrições tarifárias impostas aos produtos brasileiros", destaca. Ou seja, a UE deveria abrir o mercado para o Brasil.

Por outro lado, Ingo Plöger comenta que a realização de diversos eventos seguidos focados na cooperação tecnológica e na inovação entre os países mostra que ambos estão interessados em ampliar suas relações bilaterais. Segundo ele, o Brasil deve receber neste ano cerca de 40 delegações com representantes alemães de diversos setores.

Evento da ABDI

Desde 2010, a ABDI realiza ações de cooperação entre Brasil e Alemanha. Segundo o gerente de Assuntos Internacionais da ABDI, Roberto Alvarez, já estão em fase de pré-projeto uma planta de imãs de alta potência e uma fábrica-laboratório de próteses ortopédicas, executados em parceria entre os países.

No evento que começa hoje, os empresários debaterão ainda mecanismos e diálogos para inovação, competitividade e internacionalização de empresas. Para Alvarez, o evento estimula, além de parcerias na área de inovação e a abertura de oportunidades de negócios neste campo, a internacionalização de empresas brasileiras. "O Brasil possui, além de uma base positiva de recursos econômicos [mão de obra qualificada e institutos de pesquisa], um bom avanço econômico que favorece essa cooperação."