Governo vai fazer mudanças na Caixa

Veículo: Estadão
Seção: Economia
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Governo vai fazer mudanças na Caixa

Representante da indústria da construção civil disse que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, não especificou se a presidente vai deixar o cargo

 

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, sinalizou ontem a empresários que fará mudanças no comando da Caixa Econômica Federal ainda nesta semana, segundo relato do presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC), Paulo Safady Simão.

Wilson Pedrosa/AE
Wilson Pedrosa/AE
Atrasos. Indefinição sobre o futuro do banco tem prejudicado o programa Minha Casa, Minha Vida, dizem os empresários

 

Mantega, no entanto, não especificou se as alterações vão atingir a presidente do banco, Maria Fernanda Ramos Coelho. O setor de construção reclama que a indefinição tem ajudado a atrasar as contratações no programa Minha Casa, Minha Vida.

Os rumores sobre a saída de Maria Fernanda e de diretores da Caixa se intensificaram depois da descoberta das fraudes no Panamericano, pouco mais de um ano após a aquisição de quase metade de seu controle pelo banco estatal, via CaixaPar. Além disso, desde a formação do novo governo, a troca em cargos importantes do banco já era tida como certa, incluindo postos no segundo escalão, disputado por integrantes do PMDB. "A Caixa está parada por motivos políticos e não técnicos. É preciso ter uma definição também no segundo escalão", disse Simão.

O executivo, que participou com Mantega da reunião do Grupo de Avanço da Competitividade (GAC), reclamou que nos últimos três meses não houve nenhuma contratação no programa Minha Casa, Minha Vida na faixa até três salários mínimos - que depende diretamente de subsídios do governo via Caixa.

Simão garantiu que o corte no Orçamento da União - que atingiu em parte o programa habitacional - não deve afetar o cronograma, que será compensado com restos a pagar de 2010. A segunda fase também não deve ser afetada, acrescentou o executivo, ao prever que as contratações devem retomar o ritmo ainda no primeiro semestre. A medida provisória instituindo essa nova etapa do programa ainda não foi aprovada no Congresso.

Seguro-desemprego. De acordo com Simão, Mantega confirmou que o governo estuda mudanças na concessão do seguro-desemprego, para coibir fraudes. O empresário afirmou que estão ocorrendo distorções graves na concessão dos benefícios e isso pode ser verificado na construção civil.

O governo havia anunciado a pretensão de cortar até R$ 3 bilhões nos abonos e seguro-desemprego em 2011, apenas combatendo irregularidades. Além disso, o Ministério do Trabalho tem testado um novo sistema que confere se não existem vagas em aberto nas áreas de atuação de trabalhadores demitidos que solicitarem os benefícios, para só então liberar os valores.

Desoneração. Mantega também mostrou aos empresários a vontade de fazer ainda no primeiro semestre a desoneração das folhas de pagamento, segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Aguinaldo Diniz Filho. Os estudos estariam avançados e uma proposta deve ser apresentada na reunião do GAC de maio.

Mantega, segundo Diniz, tem de fazer essa desoneração rápido para dar competitividade às empresas nacionais. O grupo se mostrou preocupado com o processo de desindustrialização do País. "Ele (Mantega) sabe que tem (a desindustrialização)." / COLABOROU R. V.