Aposta de bancos em alta do dólar diminuiu, diz Tombini

Veículo: DCI
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Aposta de bancos em alta do dólar diminuiu, diz Tombini

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, afirmou em seu discurso na Comissão de Assuntos Econômico (CAE) do Senado que a taxa básica de juros (Selic) é um instrumento poderoso de combate à inflação. Segundo ele, o impacto da Selic se dá por meio de múltiplos canais, como o crédito e o adiamento do consumo para se fazer poupança.

Para ele, o efeito da política monetária sobre a inflação ocorre de forma defasada, em cerca de nove meses. "A experiência mostra que os ciclos de aperto e afrouxamento da política monetária têm impacto na demanda agregada e, consequentemente, na inflação", disse Tombini.

O presidente do BC também destacou que as medidas macroprudenciais podem ajudar a potencializar os efeitos da política monetária, à medida que inibem alongamento de prazos de financiamento para compensar a alta de juros, prática que vinha sendo bastante utilizada pelos bancos.

Tombini informou que a posição vendida das instituições financeiras caiu de US$ 17 bilhões, antes da adoção das medidas macroprudenciais, em dezembro, para US$ 7 bilhões, agora. Em fevereiro, a posição vendida dos bancos era de US$ 12,7 bilhões. Segundo Tombini, ao longo de 2010, a posição vendida das instituições financeiras era forte. Ele afirmou que o BC continuará a monitorar o impacto das medidas adotadas, e a agir para evitar desequilíbrios.

Tombini comentou que o BC já tem credibilidade estabelecida e que a economia brasileira tem um arcabouço bem constituído. Ele destacou que as medidas macroprudenciais buscaram manter a estabilidade do sistema financeiro como um todo, e não só estabelecer procedimentos prudenciais para uma única instituição financeira. "O objetivo foi garantir o equilíbrio geral", afirmou.

Câmbio

Segundo o presidente do BC, por mais que o banco esterilize o excedente de dólares do País, por meio do acúmulo de reservas, sempre há uma parcela que permanece no mercado. Segundo ele, essa expansão de recursos é preocupante, porque pode gerar preços excessivos e afetar a taxa de câmbio. Ele afirmou que o BC tem como tarefa propiciar para a sociedade brasileira um quadro de estabilidade de preços e que isso deve ser feito com uma política monetária e regulatória.

Tombini acredita que as ações adotadas pelo BC vão garantir a convergência da inflação para o centro da meta, que é de 4,5%.

Efeito na dívida

O presidente do Banco Central afirmou que o impacto da taxa básica de juros sobre a dívida pública é um fenômeno que ocorre em todo o mundo. Ele explicou, no entanto, que uma política monetária frouxa, que não tenha consistência com o quadro econômico e busque reduzir os juros apenas para diminuir o custo da dívida pública, é contraproducente, porque os investidores ficariam desconfiados e pediriam prêmios maiores para financiar a dívida pública com títulos prefixados ou atrelados a índices de preços.

Tombini disse também que a trajetória real de juros tem sido reduzida. Segundo ele, o Brasil tem tido um ciclo monetário nos últimos 10, 12 anos com taxas de juros reais cada vez mais baixas. Ele admitiu que os juros são mais elevados que de outros países, mas que as taxas estão mais baixas que no ano passado. Ele lembrou que, na semana que vem, o BC divulga o relatório de inflação, em que vai fornecer informações sobre a visão prospectiva da instituição em relação à evolução da inflação nos próximos meses e como se relaciona com o centro da meta.

Mercado financeiro

Ainda durante o discurso na CAE, Tombini comentou que as decisões recentes de política monetária foram bem absorvidas pelo mercado financeiro, fato, segundo ele, evidenciado pelo comportamento favorável da curva de juros após as duas últimas altas da taxa Selic. A argumentação dele é que, se a política monetária não estivesse sendo bem avaliada, a curva de juros subiria, por conta do temor de mais inflação.

Tombini também falou sobre o esforço do BC de ampliar os participantes da pesquisa Focus do BC, mas ressaltou que isso não depende só da autoridade monetária. Segundo ele, as instituições precisam querer e se estruturar para participar da pesquisa.

O presidente do BC repetiu que a inflação é uma preocupação disseminada entre os países e ressaltou que a alta do petróleo é fonte adicional de risco nesse cenário. Ele disse que o Brasil é um dos poucos países que está "endereçando" o problema da inflação, a trabalhar com juro real positivo, enquanto outros países estão com taxa real zero ou negativa.