Com alta da Selic, Brasil mantém maior juro real do mundo

Veículo: Folha de São Paulo
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Com alta da Selic, Brasil mantém maior juro real do mundo

A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de elevar a taxa básica de juros do país em 0,50 ponto percentual, para 11,75% ao ano, fez com que o Brasil mantivesse a liderança do ranking dos países com maiores juros reais do planeta.

O Brasil ocupa a primeira posição do ranking desde janeiro de 2010, quando ultrapassou o segundo colocado à época, a Indonésia, após a quarta manutenção consecutiva da Selic.

Com a alta, os juros reais foram a 5,9% ao ano. Na segunda posição aparece a Austrália, com taxa real de 2,0%, quase três vezes menos que a taxa brasileira. Na terceira posição está a Hungria, com 1,9%. O ranking é elaborado por Jason Vieira, analista internacional do Cruzeiro do Sul, e Thiago Davino, gerente financeiro da Weisul Agrícola, com 40 das maiores economias do planeta.

Da taxa básica, foi descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses.

De acordo com os analistas, a inflação de commodities alterou algumas projeções de inflação pelo mundo, o que gerou mudanças nas colocações do ranking. Além disso, o aumento da inflação também pode levar a novas altas na taxa de juros brasileira.

Os analistas afirmam que, para que o Brasil deixasse a primeira colocação no ranking, seria necessário um corte de 3,75 pontos percentuais na taxa Selic, para 7,5% ao ano. Assim, o país chegaria a um juro real de 1,8%, ocupando a terceira posição.

Enquanto o Brasil reforça sua liderança na lista, mais da metade dos países citados registram juro real negativo. Tanto que a taxa média geral dos países analisados ficou em -0,9%. Os últimos lugares do ranking são ocupados por Venezuela (-8,5%), Cingapura (-5,2%) e Grécia (-4,0%).

A liderança do Brasil ajuda o país a registrar uma expressiva entrada de capital externo, que ocorre porque os títulos de renda fixa emitidos no país pagam mais que seus pares internacionais. Por conta disso, o governo anunciou no segundo semestre algumas medidas para conter a valorização do real no mercado, que prejudica exportadores e amplia as importações no país.

Outros países com juros nominais altos detêm projeções inflacionárias mais fortes, e, portanto, perdem posições no ranking. Fonte: Folha Online