Agência de energia alerta que conflito pode levar à recessão

Veículo: DCI
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Agência de energia alerta que conflito pode levar à recessão


Uma crise política prolongada no norte da África e Oriente Médio e a manutenção do preço do petróleo acima de US$ 100 podem jogar a economia global mais uma vez em uma recessão. O alerta foi feito ontem pelo diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Nobuo Tanaka, que deixou claro que a turbulência pode afetar a recuperação da economia mundial. A ONU também está de olho na situação da Líbia. Ontem, a pedido do embaixador adjunto da Líbia, Ibrahim Dabbashi a entidade fez uma reunião especial para analisar a situação do país africano.

A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, exigiu ontem o início de uma "investigação internacional independente" sobre a repressão e pediu o "fim imediato das graves violações dos direitos humanos cometidas pelas autoridades líbias". Ela ainda advertiu o governo de que "os ataques sistemáticos contra a população civil" podem ser considerados crimes contra a humanidade.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, expressou sua preocupação com a rápida deterioração da situação no país africano e pediu que Kadafi cesse e a violência e respeite os direitos humanos do povo líbio.

Os confrontos na Líbia, o primeiro produtor importante de petróleo a ter sua produção afetada pela revolução social que está se alastrando pelo Norte da África e pelo Oriente Médio, e o discurso desafiador do ditador Muammar Kadafi pressionaram o preço do petróleo, derrubaram as bolsas e jogaram para cima a cotação do dólar no Brasil.

O preço do petróleo retoma o patamar de 2008 e fechou ontem em US$ 106,46 (tipo Brent, em Londres). A Bovespa caiu 1,22%, a Bolsa de Nova York 1,44% e a de Milão, 1,06%.

Na Ásia, as bolsas também reagiram mal e caíram mais de 1%. No mercado global, houve corrida por ativos tradicionais, como o ouro e o franco suíço. A prata atingiu seu maior nível em 34 anos.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) se apressou em tentar garantir ao mercado que a produção dos demais países seria aumentada para compensar os problemas na Líbia. Já a AIE disse que colocaria à disposição suas reservas estratégicas, em caso de necessidade.

O executivo-chefe da Pacific Investment Management Co. (Pimco), Mohamed el-Erian, afirmou que "devemos nos preparar para um choque no Oriente Médio". Segundo ele, a turbulência política no Oriente Médio e no Norte da África deverá ter um "efeito sistêmico" na economia global, provocando um "vento estagflacionário" no curto prazo - uma combinação de estagnação econômica com alta dos preços.

Para el-Erian, o desempenho relativamente fraco do dólar durante esse período de crise é "uma advertência" de que a moeda americana poderá perder seu status de refúgio seguro. Isso indica que as pessoas estão começando a se preocupar com a situação fiscal dos EUA, disse. "Tomo isso como advertência de que não podemos partir da premissa de que manteremos a posição de principal moeda de reserva, como no passado", disse El-Erian. Ele também afirmou que a alta dos preços do petróleo está reduzindo o poder de compra, enquanto os riscos geopolíticos elevados poderão ter impacto negativo nos investimentos em todo o planeta.

Ontem também o único gasoduto que liga a Líbia à Itália e à Europa teve seu funcionamento suspenso, por causa da violência na Líbia, anunciou a italiana ENI. A empresa e o governo da Itália garantem, porém, que a interrupção não colocará em risco o abastecimento do país.

A repressão na Líbia ganhou força ontem, com o reaparecimento do ditador Muammar Kadafi, que disse que não deixará o poder e lutará até o fim.