Inflação medida pelo IGP-DI acelera em janeiro, aponta FGV

Veículo: Folha de São Paulo
Seção: Mercado
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Inflação medida pelo IGP-DI acelera em janeiro, aponta FGV


A inflação medida pelo IGP-DI teve alta de 0,98% em janeiro ante 0,38% em dezembro, de acordo com a FGV (Fundação Getulio Vargas). Entre os componentes do índice que mais influenciaram, o chamado IPA (índice de preços do atacado) subiu menos entre os dois meses: teve oscilação de 1,32% em outubro ante 1,47% em setembro. Economistas do setor financeiro estimavam uma variação de 0,88% para o período.

O IGP-DI de janeiro foi calculado com base nos preços coletados entre os dias 1º e 31 do mês de referência.

O IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo) registrou variação de 0,96%. No mês anterior, a taxa foi de 0,21%. O índice relativo a bens finais apresentou variação de -0,16%, ante recuo de 0,60% no mês anterior. O principal responsável por este avanço foi o subgrupo alimentos in natura, cuja taxa passou de -7,59% para -1,33%. O índice de bens finais (ex), que resulta da exclusão de alimentos in natura e combustíveis, registrou variação de -0,11%. No mês anterior, o índice não variou.

O índice do grupo bens intermediários apresentou taxa de variação de 0,81%. No mês anterior, o grupo assinalou elevação de 0,53%. O destaque de aceleração ficou por conta do subgrupo materiais e componentes para a construção, cuja taxa de variação passou de -0,21% para 0,67%. O índice de bens intermediários (ex), calculado após a exclusão de combustíveis e lubrificantes para a produção, apresentou variação de 0,85%. No mês anterior, a variação foi de 0,57%.

No estágio das matérias-primas brutas, a taxa de variação avançou de 0,74%, em dezembro, para 2,46%, em janeiro. Os destaques no sentido ascendente foram: minério de ferro (-1,53% para 3,69%), bovinos (-4,80% para -0,08%) e algodão (em caroço) (3,99% para 18,00%). Em sentido oposto, vale mencionar: aves (7,29% para -5,77%), soja (em grão) (1,96% para 0,10%) e suínos (-1,89% para -6,65%).

O IPC (Índice de Preços ao Consumidor) registrou taxa de variação de 1,27%, acima da apurada no mês anterior, de 0,72%. Foram observadas acelerações em quatro das sete classes de despesa componentes do índice, com destaque para educação, leitura e recreação (0,37% para 4,01%). Neste grupo, vale mencionar o comportamento do item cursos formais (0,00% para 6,82%).

Também registraram acréscimos em suas taxas de variações os grupos: transportes (0,59% para 2,69%), despesas diversas (0,51% para 1,25%) e habitação (0,29% para 0,34%). Nestas classes de despesa, os destaques partiram dos itens: tarifa de ônibus urbano (0,11% para 6,43%), mensalidade para TV por assinatura (0,61% para 2,71%) e tarifa de gás encanado (0,00% para 11,48%), respectivamente.

Em sentido contrário, apresentaram decréscimos em suas taxas de variação os grupos: vestuário (0,80% para -0,12%), alimentação (1,43% para 1,36%) e saúde e cuidados pessoais (0,53% para 0,46%). Nestas classes de despesa, destacam-se os itens: roupas (1,19% para -0,13%), carnes bovinas (2,71% para -1,21%) e artigos de higiene e cuidado pessoal (0,71% para 0,27%), respectivamente.

O núcleo do IPC registrou variação de 0,41%, em janeiro. Em dezembro, a taxa foi de 0,55%. Dos 87 itens componentes do IPC, 52 foram excluídos para o cálculo do núcleo. Destes, 27 registraram variações acima de 0,80%, linha de corte superior, e 25 apresentaram taxas abaixo de 0,11%, linha de corte inferior. Em janeiro, o índice de difusão, que mede a proporção de itens com taxa de variação positiva, foi de 66,67%, ante 66,45%, no mês anterior.

O INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) registrou, em janeiro, taxa de variação de 0,41%, abaixo do resultado do mês anterior, de 0,67%. Dos três componentes do índice, apenas mão de obra apresentou desaceleração, tendo a taxa recuado de 1,28%, em dezembro, para 0,12%, em janeiro. Em sentido inverso, a taxa do grupo materiais e equipamentos passou de 0,05% para 0,35%, enquanto a do grupo Serviços avançou de 0,24% para 1,95%.