MT pede suspensão de arresto de máquinas ao BNDES

Veículo: Estadão
Seção: Economia e Negócios
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MT pede suspensão de arresto de máquinas ao BNDES

O governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), reuniu-se hoje pela manhã com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, para solicitar que os bancos das montadoras suspendam a apreensão de máquinas dos agricultores inadimplentes, até que seja encontrada uma solução para os pagamentos das dívidas.

Segundo nota do governo mato-grossense, em 30 dias os técnicos do BNDES irão analisar a situação dos produtores inadimplentes. A reunião realizada em Brasília teve a presença do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato), Rui Prado, do senador Blairo Maggi (PR-MT) e deputados da bancada federal. A preocupação do setor é a continuidade de arresto de tratores e colheitadeiras neste momento em que os agricultores estão em plena colheita da soja e plantio do milho.

O endividamento dos agricultores na compra de máquinas e equipamentos agrícolas é estimado em R$ 2 bilhões. Segundo dados da Famato, cerca de 1 mil produtores do Estado, em mais de 20 municípios, estão com dificuldade para quitar os débitos, por causa das taxas de juros.

Rui Prado diz que a dificuldade de acesso às novas linhas de linhas de financiamentos para aquisições de máquinas e equipamentos agrícolas, por causa da inadimplência, é preocupante. Segundo ele, o endividamento foi provocado pelos problemas enfrentados pelos agricultores entre 2004 e 2007, quando o agronegócio atravessou um período de crises econômicas, intempéries climáticas e oscilações no câmbio, que deixaram "os produtores sem condições de quitar suas dívidas".

Prado observa que os maquinários estavam avaliados em R$ 500 mil na época em que foram comprados. Hoje, quando a dívida chega a R$ 1,2 milhão, o maquinário desvalorizou para R$ 250 mil. Ele comenta que a alta taxa de juros é outro entrave, pois os financiamentos antigos pagam 10% ao mês e os percentuais cobrados atualmente são de 5%. "Isso tem que ser revisto".

O diretor executivo da Famato, Seneri Paludo, comenta que o produtor rural possivelmente terá receita para quitar as dívidas, por causa do bom momento da agropecuária mato-grossense. "No entanto é preciso fixar parâmetros justos para repactuação das dívidas", diz ele, que destaca a necessidade de renovação da frota agrícola no Estado.

A comitiva de Mato Grosso volta a discutir o assunto hoje à tarde com o ministro da Agricultura, Wagner Rossi. Também participam da comitiva representantes da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja) e da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa).