Dilma quer balança equilibrada com EUA

Veículo: DCI
Seção:
Página:

Dilma quer balança equilibrada com EUA

As relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos serão intensificadas. No entanto, a presidente Dilma Rousseff manifestou preocupação para com o desequilíbrio da balança comercial entre os dois na audiência concedida ao secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Tim Geithner, que visitou o Brasil ontem. Para Dilma, a solução do problema está no aumento da exportação de produtos manufaturados. Na opinião da presidente, é preciso um comércio equilibrado. Dilma avaliou que a relação Brasil-EUA é estratégica.

Ao falarem do G-20 (grupo que reúne os países ricos e principais emergentes), a presidente disse que não se devem responsabilizar as commodities pelo desequilíbrio na economia mundial e também ressaltou a importância da retomada da Rodada de Doha.

Antes de ir a Brasília, Geithner participou de um debate em São Paulo. O secretário do Tesouro norte-americano disse que o Brasil deve ser cuidadoso ao lidar com o recente aumento do fluxo de capitais com destino ao País e com a consequente valorização do real. De acordo com ele, o Brasil vive um momento de entrada desproporcional de capitais, estimulado pela confiança global no dinamismo da sua economia - o que é positivo, em sua avaliação -, mas também por taxas de juros mais altas do que deveriam.

Ele ainda citou a manutenção do câmbio depreciado em alguns países emergentes como um dos responsáveis pela alta do real.

"Esses fluxos têm sido aumentados por políticas de outras economias emergentes que estão tentando manter sua moeda desvalorizada", disse Geithner.

O secretário do Tesouro norte-americano disse ainda que a China está apenas no início de um processo de transição do modelo de câmbio rígido para um flutuante e projetou para os próximos anos uma apreciação importante da divisa chinesa.

"Agora eles perceberam que precisam entrar na economia mundial, ou seja, precisam mudar os aspectos econômicos, relaxar o controle do seu câmbio e tornarem-se mais dinâmicos para atender não somente o mercado internacional, mas também o seu mercado interno", ponderou.

Antes do debate em São Paulo, Geithner tomou café da manhã com importantes executivos, entre elesos quais André Esteves (BTG), Frederico Curado (Embraer), Carlos Alberto Vieira (Safra), Marcos Oliveira (Ford) e Denise Johnson (GM).